La Guaira, Venezuela – O cenário pós-sismo na Venezuela ganha contornos mais nítidos através da tecnologia espacial. Uma análise minuciosa de imagens captadas por satélite, realizada por especialistas da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, estima que aproximadamente 58,8 mil edificações sofreram danos significativos ou foram completamente destruídas após os terremotos da última semana.
O levantamento baseou-se nos registros do Sentinel-1, processados pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA). Os geógrafos Corey Scher e Jamon Van Den Hoek compararam a topografia urbana antes e depois dos abalos sísmicos ocorridos na quarta-feira, dia 24. A metodologia, frequentemente aplicada em zonas de conflito, identifica alterações abruptas na superfície das construções. Um prédio é classificado como danificado quando mais da metade de sua área de implantação apresenta perda de coerência visual nas imagens.
Apesar da precisão técnica, os próprios pesquisadores adotam cautela, classificando o mapeamento como um produto preliminar e ainda não validado em campo. Os pontos de maior concentração de danos coincidem com as áreas de maior intensidade do tremor, notadamente na costa central e na densa região metropolitana de Caracas, incluindo a cidade de La Guaira.
Enquanto a ciência espacial projeta números elevados, a realidade oficial informada pelo governo venezuelano até este domingo, dia 28, indica o colapso de 774 edificações. Deste total, 189 estruturas vieram abaixo completamente, enquanto 585 enfrentam danos parciais severos. Para gerir a crise, foi instituída uma comissão técnica encarregada de inspecionar pontes, rodovias e habitações. As estruturas serão submetidas a uma classificação de risco baseada em cores: vermelho para alto perigo de desabamento, amarelo para risco moderado e verde para construções seguras.
O impacto humano, contudo, é o dado mais alarmante da catástrofe. O balanço oficial aponta 1,9 mil mortes confirmadas e mais de 10,5 mil feridos. O cenário tende a se agravar, já que as Nações Unidas (ONU) projetam que cerca de 50 mil pessoas permanecem desaparecidas sob os escombros ou em áreas isoladas.
Os tremores, que atingiram magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter, impuseram um desafio monumental à infraestrutura venezuelana. A extensão real da destruição continua sendo uma incógnita, à medida que equipes de resgate tentam acessar pontos remotos atingidos pela força dos abalos iniciados na última quarta-feira.












