Osasco (SP) – Tifanny, oposta do Osasco São Cristóvão Saúde, rompeu o silêncio para contestar veementemente a nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A regra, que impede atletas que não foram designadas com o sexo biológico feminino ao nascer de disputarem torneios femininos, foi classificada pela jogadora de 41 anos como um retrocesso comparável aos testes de gênero humilhantes das décadas de 1960 e 1970.
Pioneira na Superliga, competição que conquistou em 2025 pelo time paulista, a atleta garantiu que não vai aceitar a exclusão passivamente. Em comunicado divulgado por sua assessoria de imprensa após a estreia no Campeonato Paulista, no sábado (15), ela afirmou que pretende acionar todas as instâncias possíveis para preservar sua carreira e o direito à inclusão de pessoas trans no esporte de alto rendimento.
A nova diretriz da CBV, anunciada na última sexta-feira (14), impõe que as jogadoras apresentem resultado negativo para o gene SRY, alinhando-se aos critérios adotados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB). A medida substitui o protocolo anterior, que autorizava a participação de mulheres transgênero mediante o controle dos níveis de testosterona sérica abaixo de um teto preestabelecido.
A proibição terá impacto imediato nas próximas edições da Superliga, da Supercopa e da Copa Brasil, estendendo-se também ao Circuito Brasileiro de vôlei de praia a partir de 2027. Apesar do anúncio recente, Tifanny pôde entrar em quadra no final de semana porque a Federação Paulista de Volleyball (FPV) optou por manter o regulamento original para o corrente torneio estadual, empurrando qualquer nova deliberação para as temporadas futuras após avaliações jurídicas e médicas.
Em quadra, no Ginásio José Liberatti, a oposta marcou 19 pontos e recebeu o apoio caloroso dos torcedores locais, mas não conseguiu evitar a derrota do Osasco para o Pinheiros por 3 sets a 2, com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11. Para a veterana, o embate esportivo agora se desloca para os bastidores, onde ela promete lutar para que sua trajetória iniciada no vôlei feminino em 2017 não seja interrompida de forma abrupta pela nova legislação da entidade esportiva nacional.









