São Paulo (SP) – O arrefecimento nos índices de preços ao consumidor norte-americano ditou o ritmo dos negócios no mercado financeiro global nesta quarta-feira, garantindo um pregão de alívio nos ativos domésticos. Com a menor pressão sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos, o dólar comercial fechou em queda de 0,76%, cotado a R$ 5,174, encerrando o mês de setembro com um recuo acumulado de 0,15%. No melhor momento da sessão, por volta das 9h50, a moeda norte-americana bateu a mínima de R$ 5,164, quando registrava desvalorização de 0,95%.
O principal vetor para esse movimento veio da divulgação do núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE) nos Estados Unidos, dado monitorado de perto pelas autoridades monetárias. O indicador, que descarta variações de alimentos e energia, apresentou alta de 0,2% em agosto, vindo abaixo da projeção de 0,3%. O PCE cheio subiu 0,3%, também inferior à expectativa de 0,4%. O resultado reduziu as apostas de um novo aperto monetário pelo Federal Reserve em outubro, aliviando os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e favorecendo o real frente a outras divisas latino-americanas, em um dia também marcado por ajustes na taxa de câmbio de fim de mês e monitoramento do cenário eleitoral.
Na bolsa de valores, o Ibovespa acompanhou o bom humor internacional e encerrou a quarta-feira em alta de 1,37%, aos 186.340,46 pontos, oscilando entre a mínima de 183.879,71 e a máxima de 187.834,97 pontos. O desempenho consolidou um ganho de 5,03% para o índice em setembro, impulsionado pelas ações de instituições financeiras e de empresas voltadas à atividade doméstica. A trajetória mensal ganhou sustentação com o regresso do capital externo: até o dia 28 de setembro, a B3 contabilizou ingresso líquido de R$ 9,569 bilhões de investidores estrangeiros, revertendo a saída de R$ 18,1 bilhões observada em agosto e somando-se ao saldo positivo de R$ 4,3 bilhões de julho.
Com o encerramento do mês, o saldo acumulado pelo investidor internacional no mercado acionário brasileiro chega a quase R$ 29 bilhões em 2026. No balanço do terceiro trimestre, o Ibovespa registrou avanço de 8,32%, acumulando valorização de 15,65% no ano. Em contrapartida, a moeda americana teve uma leve alta de 0,23% no acumulado do terceiro trimestre, embora ainda ostente um recuo de 5,75% ao longo de 2026.
No setor de commodities, o petróleo encerrou a sessão com valorização devido aos riscos geopolíticos no Oriente Médio. Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, os contratos do petróleo tipo Brent para dezembro subiram 1,94% (US$ 1,87), cotados a US$ 98,03 por barril. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para novembro avançou 1,16% (US$ 1,04), fechando a US$ 90,42 por barril. Em setembro, o Brent acumulou ganho próximo a 7%, enquanto o WTI subiu cerca de 6%.
As atenções no mercado de energia seguem voltadas para o Estreito de Ormuz, onde o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido investiga um ataque por projétil contra um navio-tanque. Paralelamente, os agentes acompanham a prorrogação da proibição de exportação de diesel pela Rússia até o fim de outubro e possíveis limitações nas remessas do combustível pelos Estados Unidos. Embora dados do Departamento de Energia norte-americano tenham apontado alta inesperada nos estoques de petróleo bruto e forte queda nas reservas de gasolina, a busca por rotas alternativas de escoamento permitiu uma recuperação gradual no fluxo de embarques do Oriente Médio.












