Nova York, Estados Unidos – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira (22), para elevar o tom sobre a autonomia brasileira e o cenário geopolítico mundial. Diante de representantes de 193 Estados-membros, Lula declarou que o país não aceita se submeter a influências externas, reforçando que o Brasil não cabe no quintal de nenhuma potência. O discurso de aproximadamente 20 minutos focou em temas sensíveis como multilateralismo, democracia e a necessidade urgente de reforma na governança global.
Ao avaliar o estado atual do planeta, o presidente classificou o momento como o mais crítico desde sua primeira participação no evento, em 2003. O mandatário apontou que 2025 detém o recorde de conflitos armados desde o fim da Segunda Guerra Mundial, questionando abertamente o funcionamento do Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, o poder de veto concedido aos membros permanentes trava soluções eficazes para crises internacionais, tornando a estrutura da organização obsoleta diante da realidade contemporânea.
A situação no Oriente Médio ocupou parte significativa de sua fala. Lula condenou o que classificou como genocídio praticado pelo governo de Benjamin Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza, enquanto também repudiou os atos terroristas cometidos pelo Hamas contra civis israelenses. O presidente defendeu que a dor e o trauma deixados pelo conflito marcarão gerações, apelando para uma postura mais humanitária e menos pautada pelo radicalismo nas relações internacionais.
No contexto latino-americano, o líder brasileiro foi enfático ao rejeitar tentações hegemônicas que cercam a região, mencionando as complexidades enfrentadas por países como Venezuela e Nicarágua, além de reiterar críticas ao embargo imposto a Cuba. O presidente também aproveitou a oportunidade para rechaçar qualquer forma de ingerência estrangeira nos processos eleitorais brasileiros. Para combater a criminalidade transnacional, defendeu estratégias baseadas em inteligência financeira e repressão à lavagem de dinheiro, em vez de respostas que envolvam ameaças militares.
Na agenda ambiental, o governo brasileiro apresentou números sobre a redução de 50% no desmatamento da Amazônia, promovendo o fundo “Florestas Tropicais para Sempre” como uma iniciativa central para a COP 30. Apesar de apontar riscos climáticos severos, como o derretimento das geleiras no Himalaia e os efeitos destrutivos de fenômenos como o super El Niño, Lula manteve o tom de otimismo econômico. Mesmo sob o impacto de barreiras comerciais e taxas impostas pelos Estados Unidos, o presidente previu um volume recorde nas exportações nacionais para o ciclo atual.
Encerrando a exposição, o chefe de Estado brasileiro buscou referências em Martin Luther King para evocar uma mensagem de reconstrução por meio do altruísmo. Após concluir sua fala diante de cerca de 130 líderes mundiais reunidos para debater tópicos que incluem os riscos da inteligência artificial, Lula integrou a comitiva brasileira para acompanhar o pronunciamento do presidente norte-americano, Donald Trump.


