Assunção, Paraguai – Santiago Peña compareceu à sede da Procuradoria-Geral na manhã deste sábado, 7 de dezembro. O depoimento marca o primeiro desdobramento público do ex-presidente paraguaio após a votação do Senado que, na sexta-feira, selou sua destituição do cargo e determinou sua prisão domiciliar. O clima no país é de instabilidade acentuada, com a nação atravessando uma crise que combina o esvaziamento do poder político com uma severa fragilidade financeira.
A queda de Peña está diretamente associada ao escândalo envolvendo o banco digital Ueno. A instituição entrou em processo de quebra, bloqueando o acesso de milhões de clientes aos seus recursos financeiros e desencadeando um efeito cascata de incertezas. A ligação entre o ex-presidente e a estrutura do banco digital tornou-se o estopim para o procedimento legislativo de impeachment, que avançou com rapidez incomum pelas mãos dos parlamentares paraguaios.
O impacto do colapso do Ueno não se limitou ao ex-mandatário. A investigação aponta para a participação direta de altos funcionários e ex-executivos da entidade financeira no episódio. Enquanto a Justiça busca esclarecer as responsabilidades pelos danos causados à base de usuários, os órgãos reguladores do Paraguai tentam conter os prejuízos e evitar que o desmantelamento da instituição contamine o restante do sistema bancário nacional.
A crise de confiança provocou movimentos drásticos nas cúpulas administrativas do Estado. O presidente do Banco Central do Paraguai anunciou sua renúncia ao posto, decisão acompanhada por outras autoridades do alto escalão do governo, deixando o cenário de gestão pública com lacunas críticas em um momento de alta volatilidade nos mercados.
O depoimento de Peña ocorre sob vigilância estrita, dado o regime de prisão domiciliar que lhe foi imposto. A sociedade paraguaia observa os próximos passos da Procuradoria, que deve determinar o alcance das evidências ligando a gestão presidencial às operações do banco falido. A transição política resultante do impeachment, aliada ao trauma financeiro vivido pelos correntistas, mantém o país em uma posição de alerta contínuo nas últimas horas.











