Baixo Guandu (ES) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Nova York no último domingo para uma série de compromissos que antecedem o tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. A agenda desta segunda-feira é marcada por conversas estratégicas, começando pela recepção ao presidente uruguaio, Yamandú Orsi, na residência oficial brasileira, por volta das 11h30, no horário de Brasília.
Logo após o encontro com o representante do Uruguai, a pauta diplomática de Lula segue com audiências locais e com lideranças do Partido Democrata dos Estados Unidos. Às 12h30, o presidente brasileiro reúne-se com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Já no período da tarde, a agenda prevê um diálogo com o senador norte-americano Bernie Sanders.
A terça-feira reserva o momento mais aguardado da missão brasileira. Mantendo a tradição de sete décadas, o Brasil inaugura o debate geral, sendo o primeiro país a discursar no plenário. Esta marca a 11ª vez que Lula ocupa o posto. A expectativa é que o mandatário reforce a necessidade de fortalecer o multilateralismo como ferramenta para mitigar conflitos globais, além de defender a soberania das nações e o respeito ao direito internacional humanitário.
Outro ponto central da fala de Lula deve envolver a reforma das instâncias decisórias do sistema internacional, com foco especial na reestruturação da própria ONU e do seu Conselho de Segurança. Embora a logística de bastidores ofereça a possibilidade de um encontro entre Lula e o ex-presidente Donald Trump — que discursa logo após o Brasil —, o Itamaraty não confirmou nenhuma agenda oficial entre os dois. No ano anterior, houve um breve contato entre ambos.
Após a abertura do debate, o cronograma presidencial prevê um encontro bilateral com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Esta será a última participação de Guterres na Semana de Alto Nível antes do término do seu segundo mandato. Com o encerramento deste compromisso, o presidente brasileiro inicia seu retorno ao país.
Apesar da partida do chefe do Executivo, a delegação do Brasil mantém uma agenda intensa até o dia 28 de setembro. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, lidera uma série de encontros com chanceleres de outros blocos, incluindo participações em reuniões do BRICS, da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul e do Grupo dos 77 e China.
O Brasil também utiliza o espaço para promover iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e o Painel Internacional de Desigualdades. A gestão da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, sob presidência brasileira para o próximo triênio, também está no escopo das discussões. Para garantir a representatividade das pautas internas, compõem a comitiva ministerial Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social; Esther Dweck, da Gestão e da Inovação; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial.












