Nova York, Estados Unidos – O Palácio Itamaraty confirmou os preparativos para a ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova York, onde participará da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas na próxima semana. Entre os compromissos em análise, destaca-se a possibilidade de um encontro bilateral com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani. O gestor municipal, que assumiu o posto no início deste ano, é conhecido por seu perfil progressista, defendendo pautas como a causa palestina, o congelamento de aluguéis e a oferta de transporte público gratuito.
Embora o gabinete de Mamdani tenha formalizado um pedido de agenda com o governo brasileiro, a reunião ainda não consta como confirmada na grade oficial do Palácio do Planalto. A comitiva de Lula, que inclui os ministros Mauro Vieira, Esther Dweck, Eloy Terena e Rachel Barros de Oliveira, chega aos Estados Unidos no próximo domingo (20). A segunda-feira seguinte será dedicada integralmente a reuniões bilaterais com outros chefes de Estado e autoridades internacionais.
Na terça-feira (22), o presidente brasileiro mantém um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Logo após, Lula assume o plenário para realizar o pronunciamento de abertura da Assembleia Geral, honra que tradicionalmente recai sobre o Brasil. A edição deste ano debate o tema “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”. O texto da fala ainda passa por ajustes, mas o Itamaraty antecipa que o discurso focará na defesa da reforma do sistema das Nações Unidas, do multilateralismo e na busca por soluções pacíficas para conflitos globais.
O embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, reforçou que o momento geopolítico exige uma defesa firme da cooperação internacional e da não interferência em assuntos internos. O presidente deve reiterar a necessidade de respeitar o direito internacional humanitário e promover negociações de paz frente às guerras em curso. O retorno de Lula ao Brasil está previsto para a própria terça-feira, logo após o término de sua participação na tribuna da ONU.
Diferente de especulações sobre uma possível conversa com o ex-presidente Donald Trump — que também discursará no evento logo após o brasileiro —, não há nenhuma sinalização oficial de encontro entre ambos. Em ocasiões anteriores, os dois tiveram apenas breves contatos nos bastidores, sem desdobramentos diplomáticos formais. Enquanto o presidente brasileiro cumpre sua agenda, o ministro Mauro Vieira liderará uma reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, projeto central da presidência brasileira no G20, que já mobiliza mais de 215 membros na articulação para o combate à miséria ao redor do mundo.






