Nova York, Estados Unidos – O clima político na Groenlândia mudou drasticamente após a assinatura de um novo pacto militar entre Estados Unidos e Dinamarca. Autoridades locais manifestaram forte alívio com o acordo, que enterra, ao menos por ora, as antigas ameaças proferidas pelo presidente norte-americano Donald Trump de anexar o território ártico.
Para celebrar a calmaria diplomática, o presidente do Parlamento, Kim Kielsen, convocou a população a hastear as bandeiras do território nesta quarta-feira. Moradores da capital Nuuk organizaram uma recepção festiva no aeroporto para aguardar o retorno do primeiro-ministro e do ministro das Relações Exteriores, que negociaram o acerto em Nova York.
O documento recém-assinado funciona como um apêndice ao tratado de defesa mútua firmado entre Washington e Copenhague em 1951. Na prática, o entendimento autoriza os militares norte-americanos a reativarem duas bases construídas originalmente durante a Guerra Fria, situadas no sul e na costa leste da ilha.
As cláusulas estabelecem que aeronaves e embarcações dos Estados Unidos ganham total liberdade para sobrevoar, pousar e conduzir operações submarinas em qualquer ponto do território groenlandês. No entanto, o texto omite tanto o cronograma para essas movimentações quanto o teto máximo para o envio de tropas.
A presença militar norte-americana na região remonta à Segunda Guerra Mundial e chegou a somar dezessete instalações e mais de dez mil soldados dedicados ao monitoramento da antiga União Soviética. Atualmente, apenas uma base permanece em funcionamento na costa oeste, operada por cerca de 150 militares.
O pacto também estipula regras rígidas de segurança geopolítica. Nações que não integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte continuam proibidas de manter tropas permanentes na ilha. Além disso, caso a Groenlândia concretize o sonho da independência em relação à Dinamarca, o território obrigatoriamente precisará continuar alinhado ao bloco militar ocidental.
Nos aspectos econômicos, o documento deixa de fora investimentos diretos dos Estados Unidos nos cobiçados setores de mineração e exploração de recursos naturais locais. Contudo, impõe barreiras comerciais ao vetar que investidores externos à OTAN ou à União Europeia exerçam controle sobre áreas consideradas sensíveis para a economia groenlandesa.
Com uma população de apenas 57 mil habitantes espalhada por uma extensão territorial superior à do México — onde cerca de oitenta porcento da superfície permanece soterrada sob camadas de gelo —, o território aguarda os trâmites finais. Para que as novas regras passem a valer integralmente, os parlamentos da Groenlândia e da Dinamarca ainda precisam chancelar o texto.







