Darkhoveyn, Irã – No mesmo domingo (19) em que os holofotes do planeta se voltam para os Estados Unidos, sede da final da Copa do Mundo de Futebol, o governo americano intensificou a ofensiva militar contra o Irã, bombardeando um canteiro de obras nucleares em Darkhoveyn, no sudoeste do país. A resposta de Teerã veio em poucas horas, ampliando o raio do conflito para alvos na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein.
O ataque à usina em construção ocorreu na madrugada deste domingo, conforme dados da Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI). Em pronunciamento divulgado pela emissora estatal Press TV, o órgão classificou a ação como um atentado terrorista injustificável contra o que chamou de símbolo da dignidade científica e autossuficiência da nação. Embora o direito internacional proíba agressões a instalações nucleares civis — operacionais ou não —, Washington optou pelo silêncio específico sobre este alvo.
Por sua vez, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que monitora a situação em Darkhoveyn. De acordo com o órgão ligado à ONU, o local está em estágio inicial de obras e não abrigava material radioativo durante a última vistoria técnica. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, descartou riscos de contaminação radiológica no momento, mas fez um apelo público pelo fim de manobras militares perto de estruturas de natureza nuclear.
Sem mencionar o complexo de Darkhoveyn de forma direta, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) detalhou a realização de sua oitava incursão aérea consecutiva contra o território iraniano desde o reinício das hostilidades. Os militares americanos declararam ter neutralizado sistemas de defesa aérea, radares de monitoramento costeiro, estruturas marítimas e depósitos de mísseis e drones com o intuito de enfraquecer o poderio bélico de Teerã.
O acirramento da crise ocorre sob acusações mútuas de desrespeito ao Memorando de Entendimento outrora assinado pelas nações. O governo iraniano aponta que a atual fase de bombardeios resultou em 57 mortes, acusando os EUA de mirarem infraestruturas civis críticas, como hospitais, pontes e postos de controle marítimo. Já o Pentágono justifica as ações alegando que o Irã violou o acordo de paz ao lançar ofensivas contra navios mercantes no Estreito de Ormuz, que teve sua rota de navegação novamente bloqueada.
Como revide aos ataques à sua infraestrutura, o exército do Irã realizou operações contra bases militares americanas na região. No Kuwait, as instalações de energia e dessalinização de água foram atingidas pela segunda vez em 48 horas neste domingo. Os iranianos assumiram a autoria de disparos contra a base de al-Adiri, localizada a 104 quilômetros de sua fronteira, apontada por Teerã como o principal polo de apoio logístico e recomposição de tropas dos EUA na área.
No Bahrein e na Jordânia, as investidas contra postos militares americanos deixaram ao menos dois soldados dos EUA mortos durante o final de semana. O governo jordaniano confirmou a interceptação de três mísseis que invadiram seu espaço aéreo, enquanto um quarto projétil caiu em uma área isolada e desabitada ao sul do país, sem deixar feridos. Em paralelo, a Guarda Revolucionária do Irã declarou ter interceptado dois drones MQ-9 Reaper e bloqueado o tráfego de quatro embarcações no Estreito de Ormuz neste domingo.









