Teerã, Irã – O Oriente Médio enfrenta nesta quarta-feira (2) o seu período de maior instabilidade desde julho, após uma série de ataques cruzados entre as forças norte-americanas e o governo iraniano. A ofensiva, que rompeu meses de relativa quietude, começou na terça-feira (1°), quando o Comando Central das Forças Armadas dos EUA disparou contra defesas aéreas, sistemas de radar e instalações de comunicação da Guarda Revolucionária Islâmica na costa sul do Irã, além de mirar recursos marítimos e de minagem na região.
Teerã respondeu de forma imediata e generalizada. O comando militar iraniano declarou publicamente que seu objetivo estratégico agora é a expulsão definitiva das forças estadunidenses da rede de bases militares mantidas há décadas no Oriente Médio. Em nota, alertaram que qualquer nação que ofereça suporte logístico ou militar ao exército dos EUA sofrerá retaliações severas.
O impacto das ações iranianas se estendeu pelo Iraque, Barein, Jordânia e Kuwait. No território jordaniano, treze mísseis foram disparados. Segundo o governo local, dez projéteis foram interceptados no ar, enquanto três atingiram áreas desabitadas. Em solo kuwaitiano, drones e mísseis foram direcionados contra a Base Aérea Ali Al Salem, onde um incêndio atingiu um complexo residencial de um comandante americano, conforme relatado pelos bombeiros locais, embora sem registro de mortes.
A situação no norte do Iraque, em Erbil, também se tornou palco de ataques coordenados com drones e mísseis pelas forças terrestres iranianas. Simultaneamente, o Catar, anfitrião da maior base aérea americana no Golfo, emitiu uma declaração formal responsabilizando legalmente o Irã por todos os desdobramentos dos ataques. No Barein, as autoridades confirmaram a interceptação de drones iranianos que visavam o quartel-general da Marinha dos EUA.
A tensão ganhou um contorno dramático na cidade de Sirik, próxima ao Estreito de Ormuz. O governo iraniano denunciou que bombardeios americanos atingiram uma residência onde ocorria um casamento, resultando em doze mortes. Entre as vítimas fatais, estaria uma criança de quatro anos. Imagens divulgadas por agências locais mostram destruição na propriedade e vestígios de sangue no local, em um cenário que autoridades iranianas compararam a um ataque anterior contra uma escola de meninas.
A crise provocou reflexos imediatos na economia global. As bolsas de valores na Ásia e na Europa registraram quedas acentuadas, enquanto os preços do petróleo atingiram patamares de volatilidade não vistos desde julho. O temor é que a interrupção no fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz — onde o Irã afirmou que dois petroleiros foram atingidos por minas — pressione a inflação global e desestabilize o mercado financeiro.
Este embate representa o ápice da escalada militar iniciada após o presidente Donald Trump ter interrompido, em julho, bombardeios intensos contra o Irã. Naquela ocasião, a decisão foi tomada diante de alertas de altos comandantes militares sobre a escassez de munições e a falta de alvos estratégicos remanescentes. Enquanto o Irã promete respostas mais devastadoras, a comunidade internacional observa com cautela o risco de um conflito de proporções ainda maiores.








