Rio de Janeiro (RJ) – Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, que atuavam como seguranças de rua na zona sul do Rio de Janeiro, apresentaram-se à delegacia nesta quinta-feira (20). A dupla é apontada como autora principal do espancamento que tirou a vida de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos. O crime, ocorrido na noite de 11 de junho, contou ainda com o apoio de dois entregadores de delivery, que permanecem foragidos e seguem sendo procurados pelas autoridades policiais.
O episódio teve início quando a vítima, que costumava pedalar a bicicleta da irmã entre os bairros de Botafogo e Copacabana, foi interceptada pelos dois seguranças. Sem apresentar qualquer evidência, os homens questionaram a procedência do veículo. Cláudio Rafael, que possuía um transtorno psicológico, tentou explicar que a bicicleta pertencia à sua irmã, mas a dificuldade em concluir o raciocínio serviu de pretexto para o início das hostilidades.
Após Jorge Luiz Ricardo Dias tomar a bicicleta à força, Cláudio tentou recuperar o bem, sendo inicialmente agredido por Davi Santos Machado. A vítima buscou abrigo nas escadarias de um edifício localizado na Rua Felipe de Oliveira, onde foi surpreendida pelo retorno dos agressores. No local, teve início uma sessão de tortura que se prolongou por nove minutos, marcada pelo uso de um porrete, chutes no tórax e golpes precisos na região da cabeça.
Testemunhas e registros indicam que a vítima foi cercada e impedida de fugir pelos dois entregadores que participaram do ataque. Após desferirem mais de 30 golpes com o bastão, os agressores deixaram Cláudio desacordado. Antes de abandonar a cena do crime, Davi Santos Machado registrou fotos do homem inconsciente com seu aparelho celular, enquanto um dos entregadores revistava os bolsos de Cláudio.
O socorro chegou aproximadamente 30 minutos depois, levado por equipes do Corpo de Bombeiros. Cláudio Rafael foi encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não sobreviveu à gravidade dos ferimentos, vindo a falecer na madrugada do dia 12. O laudo médico confirmou que o óbito foi causado por traumatismo craniano e hemorragia interna.
O caso está sob investigação da 12ª DP, em Copacabana. O delegado Ângelo Lages confirmou que os quatro envolvidos no linchamento responderão por homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras aplicadas ao caso consideram a natureza torpe da motivação, a crueldade empregada no método de execução e a total impossibilidade de defesa por parte da vítima.












