Brasília (DF) – O ministro Alexandre de Moraes votou nesta terça-feira para que sua situação seja analisada de forma simultânea com a do colega André Mendonça na sessão marcada para o próximo dia 23. A manifestação ocorreu durante a sessão plenária que define se o magistrado pode ser investigado pela Corte em decorrência de uma suposta ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Com a adesão de Moraes, o placar acumulou quatro votos a favor do julgamento conjunto. A tese foi acompanhada pelos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Em posição divergente, o presidente do tribunal, Edson Fachin, defendeu que os processos sigam caminhos separados.
O plenário avalia uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes logo na abertura da sessão, com o objetivo de incluir na pauta as supostas irregularidades que teriam sido praticadas por Mendonça. Além disso, Mendes sustentou que o processo precisa ser redistribuído entre os integrantes do tribunal, sem permanecer sob a relatoria de Fachin.
Durante a discussão, Moraes questionou o formato processual fixado por Fachin e argumentou que sua situação guarda semelhança com o pedido que apresentou para apurar a conduta de Mendonça, que atuava anteriormente como relator do caso.
O ministro também pontuou que a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o próprio Mendonça deixaram de enviar ao tribunal um requerimento formal para investigar sua conduta. Ao questionar o presidente da Corte, Moraes argumentou sobre a ausência de um pedido formal de investigação contra si.
Para o ministro, o único pleito protocolado oficialmente no processo partiu do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a nulidade do relatório policial responsável por apontar as conversas entre Vorcaro e o magistrado.
O episódio veio a público em 1 de setembro, quando o plenário foi acionado por André Mendonça após a Polícia Federal identificar contatos do ex-banqueiro com um terminal telefônico vinculado a Moraes. A apuração indica que o empresário trocou cerca de 50 mensagens com o número antes de sua prisão, ocorrida em 17 de novembro do ano passado.
Ao longo da tramitação, Paulo Gonet, cujo nome também apareceu nas mensagens, manifestou-se pela derrubada do relatório policial que revelou os diálogos. Em documento enviado ao tribunal, o procurador-geral apontou que Mendonça conduziu uma investigação irregular contra Moraes ao aprofundar a apuração do caso Master para esmiuturar as conversas.








