Colatina (ES) – O fisiculturista de 22 anos Gabriel Ganley teve a morte atribuída a uma cardiomiopatia, doença do coração que pode ser agravada pelo uso de anabolizantes. Ele foi encontrado sem vida no último sábado (23), no apartamento em que morava, na cidade de São Paulo.
De acordo com uma nota da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o caso segue em apuração por meio de inquérito policial. O laudo preliminar aponta que a morte súbita ocorreu em decorrência de uma cardiomiopatia hipertrófica, condição caracterizada por alterações no músculo cardíaco.
Ganley ganhou notoriedade ao registrar e dividir a rotina de treinos com mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais. No ano passado, ele admitiu ter feito uso de hormônios. A prática, segundo especialistas, é considerada um fator relevante no agravamento de problemas cardíacos como o identificado no exame.
A coordenadora do Departamento de Endocrinologia do Exercício da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Andrea Fioretti, detalha que a cardiomiopatia hipertrófica provoca um espessamento da parede do coração. Com isso, diminui-se o espaço interno do órgão e, consequentemente, reduz-se a quantidade de sangue bombeada. Para ela, o quadro fica ainda mais sério quando há uso de anabolizantes.
“A grande questão é que, quando se usa um esteroide anabolizante, ele não atua apenas no músculo da perna ou do braço; ele também interfere na musculatura cardíaca. E existe um agravante: o esteroide anabolizante aumenta o número de células vermelhas e, com isso, pode reduzir a velocidade da circulação desse sangue”, afirmou.
Fioretti acrescenta que, com menos sangue sendo encaminhado ao cérebro, cresce o risco de eventos graves, incluindo acidente vascular cerebral.
Segundo a endocrinologista, o uso de anabolizantes não é voltado a metas estéticas ou a melhora de desempenho, mas tem indicação médica restrita a casos de deficiência de testosterona. Ela alerta para o uso em busca de ganho de massa muscular e resultados no esporte, classificando como altamente perigoso.
“O esteroide anabolizante tem uma estrutura semelhante à testosterona. A testosterona é indicada quando o indivíduo tem deficiência na produção desse hormônio. Quem usa essas substâncias, que são semelhantes à testosterona, está fazendo de forma ilegal e completamente equivocada.”
Na mesma nota, a Secretaria informou que a autoridade policial conduz diligências para avançar na apuração e aguarda o resultado dos laudos do IML, considerados necessários para esclarecer os fatos em detalhes.
Desde 2023, o Conselho Federal de Medicina proíbe a prescrição de esteroides e anabolizantes com fins estéticos, para ganho de massa muscular e para desempenho esportivo.











