Ibatiba (ES) – Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido para investigar o uso de recursos que teriam sido destinados ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo é apurar se o dinheiro acabou empregado, na prática, para sustentar uma campanha contra autoridades do governo brasileiro, além de outras finalidades apontadas nas suspeitas.
Entre as denúncias a serem verificadas, consta a possibilidade de que os valores também tenham sido direcionados a influenciar a imposição de tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Há ainda a alegação de uso do montante para favorecer a anistia ao próprio Bolsonaro dentro da trama descrita como golpista. A investigação, conforme encaminhamento feito por Moraes, deve considerar essas linhas de apuração em conjunto com o que já tramita no Supremo.
O caso foi levado ao STF pelo deputado federal Lindebergh Farias, do PT do Rio de Janeiro. Ele solicitou que a apuração ocorra no mesmo processo que já está em andamento na corte contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueredo. No pedido, Farias pede que se verifique se os recursos remetidos por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinados a Flávio Bolsonaro foram utilizados para atacar autoridades e para viabilizar sanções contra o Brasil.
Na denúncia, é mencionado que Flávio Bolsonaro confirmou ter recebido mais de R$ 60 milhões para a realização do filme. Além disso, Lindebergh Farias requer a inclusão de Jair e de Flávio na investigação que já está em curso, tratando-os como partes diretamente relacionadas às apurações sobre o uso dos recursos.
Também foram solicitadas medidas cautelares voltadas ao senador Flávio Bolsonaro. Entre os pedidos estão a entrega de passaporte, a proibição de se ausentar do Brasil e a vedação para que ele mantenha contato com Daniel Vorcaro e com intermediários ligados ao empresário. A denúncia inclui ainda o requerimento de bloqueio de bens e valores do senador.
As alegações que fundamentam o pedido no STF apontam para a possibilidade de lavagem de dinheiro, financiamento e propaganda eleitoral irregular, além de organização criminosa e atentado à soberania nacional. O encaminhamento de Moraes estabelece que a PGR analise o pedido e responda em um prazo de cinco dias.
Enquanto a tramitação judicial segue, Flávio e Eduardo Bolsonaro estiveram em Washington. Nesta terça-feira (26), os dois, acompanhados do blogueiro Paulo Figueiredo, se reuniram com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A visita foi divulgada por meio de fotos do encontro nas redes sociais.
A reportagem tentou contato com a defesa de Flávio e Eduardo Bolsonaro, mas não obteve retorno até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação.











