Brasília (DF) – O Brasil pavimentou o caminho jurídico para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027 e, ao mesmo tempo, saldou uma dívida com suas precursoras. A Lei 15.421/2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi publicada nesta terça-feira (2) no Diário Oficial da União. O texto consolida as garantias dadas à Fifa sobre vistos, segurança e transmissão, além de regular a exclusividade de comércio perto de arenas e permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios.
O torneio ocorrerá entre 24 de junho e 25 de julho de 2027 em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, projetando atrair 3 milhões de torcedores. A estrutura legal também autoriza feriados nacionais nos dias de jogos da seleção, pontos facultativos nas sedes e exige a adaptação das férias escolares para abranger toda a competição.
Muito além das regras comerciais, a lei busca a equidade de gênero no esporte e reconhece as pioneiras com o prêmio de R$ 500 mil. A compensação financeira vale para as atletas — ou herdeiros das falecidas — do torneio experimental de 1988, quando o Brasil garantiu o bronze com Lica Laurentino, Simone Carneiro, Marisa Caju, Rosilene Fanta, Suzana Cavalheiro, Elane Rego, Suzy Bittencourt, Sandra Duarte, Lúcia Feitosa, Marilza Pelezinha, Marcinha Honório, Fia Paulista, Russa, Sissi, Lucilene Cebola, Roseli de Belo, Michael Jackson e Flordelis Oliveira.
Na Copa oficial de 1991, na China, o grupo reuniu Meg, Miriam Soares, Rosa Maria, Doralice, Solange, Márcia Tafarel, Lunalva Almeida, Cenira Sampaio, Rosângela Rocha, Maria Lúcia, Adriana Alvim e Delma Gonçalves. Elas abriram caminhos para a histórica edição brasileira, o primeiro mundial adulto na América do Sul, vencido após derrotar o bloco de Alemanha, Bélgica e Holanda. O torneio reunirá 32 seleções: 11 da Europa, seis da Ásia, quatro da África, quatro das Américas do Norte e Central, três da América do Sul (incluindo o anfitrião Brasil), uma da Oceania e três da repescagem.
Historicamente dominado pelos Estados Unidos, donos de quatro taças, seguidos de Alemanha com duas, além de Noruega, Japão e Espanha com uma, o torneio segue como o sonho de conquista inédito para a seleção brasileira. Vice em 2007 ao perder a final para as alemãs, o país hoje tem Formiga — recordista com sete Copas — como diretora no Ministério do Esporte e Marta ostentando o feito de maior artilheira dos mundiais masculinos e femininos com 17 gols, um a mais que o alemão Miroslav Klose.












