Brasília (DF) – O cultivo de organismos aquáticos em áreas sob domínio federal brasileiro alcançou em 2025 o volume mais expressivo desde o início do registro da série histórica, em 2019. O setor encerrou o período com 179,6 mil toneladas produzidas, consolidando um crescimento de 20,9% em comparação aos números obtidos no ano anterior. A atividade, que utiliza espaços públicos como reservatórios de hidrelétricas e rios de grande porte mediante autorização governamental, movimentou R$ 1,47 bilhão em Valor Bruto da Produção e foi responsável pela criação de 4.239 postos de trabalho em todo o território nacional.
A predominância da piscicultura continental é evidente, respondendo por 94,5% do total gerado, ou 169,8 mil toneladas. Dentro deste segmento, a tilápia do Nilo permanece como a espécie protagonista, concentrando cerca de 168 mil toneladas. O restante da produção divide-se entre a malacocultura, voltada para moluscos, com 8,8 mil toneladas, e a algicultura, que totalizou 997 toneladas no período.
Do ponto de vista geográfico, a Região Sudeste detém a dianteira na atividade nacional, sendo responsável por 94,8 mil toneladas, volume que representa mais da metade da produção brasileira em águas da União. O estado de São Paulo encabeça o ranking individual com 64,5 mil toneladas, seguido por Minas Gerais, com 30 mil toneladas, e o Paraná, que aparece na terceira posição com 18 mil toneladas. Na sequência dos maiores produtores destacam-se Pernambuco, com 15,3 mil toneladas, Goiás, com 11,9 mil toneladas, Mato Grosso do Sul, com 10,2 mil toneladas, e Santa Catarina, que atingiu 9,3 mil toneladas. As demais regiões apresentam volumes inferiores, com o Nordeste somando 34,6 mil toneladas, Sul com 27,3 mil toneladas, Centro-Oeste com 22,3 mil toneladas e a Região Norte com 712 toneladas.
A expansão do setor também se reflete no número de contratos vigentes para a exploração dessas áreas. Em 2025, o total de concessões chegou a 1.551, superando as 1.422 registradas no exercício anterior. Este cenário de ampliação é acompanhado de perto pelo perfil demográfico dos cessionários. Entre os produtores, a presença masculina é maioria, representando 79% do contingente, enquanto as mulheres somam 21%.
Quanto à qualificação dos responsáveis pela produção, os dados indicam que 24,1% possuem ensino médio completo, enquanto 15,2% contam com ensino superior. É relevante notar, contudo, que uma parcela significativa de 26,64% dos produtores não forneceu informações detalhadas sobre a própria escolaridade. Esse conjunto de indicadores reforça a percepção de que a aquicultura em águas de domínio federal se estabeleceu como um motor estratégico, capaz de diversificar a oferta de pescado, fomentar a geração de renda e impulsionar o desenvolvimento econômico nas regiões onde a atividade está instalada.











