Rio de Janeiro (RJ) – O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) instaurou uma Notícia de Fato para investigar o conteúdo de uma carta distribuída pela rede de Supermercados Zona Sul ao seu quadro de colaboradores. O episódio ocorreu pouco antes do pleito eleitoral e agora passa pelo crivo de apuração das autoridades trabalhistas para determinar se houve irregularidade na conduta da empresa.
A mensagem, subscrita pelo presidente da rede, evoca a necessidade de um chamado “voto consciente” e afirma que o país atingiu o momento de buscar alternativas. Embora o texto evite menções diretas a nomes de candidatos ou partidos, ele advoga explicitamente por uma reavaliação de posturas, prioridades e modelos de gestão vigentes no cenário nacional, utilizando uma linguagem que sugere a urgência de uma guinada política.
A denúncia que originou a movimentação do órgão foi feita pelo vereador e deputado federal eleito Rick Azevedo (Psol). Em manifestações públicas, o parlamentar classificou a iniciativa da empresa como uma prática de assédio eleitoral. Ele apontou que a rede, conhecida pela atuação em bairros nobres da capital fluminense, utilizou sua posição hierárquica para influenciar o posicionamento político de quem compõe sua força de trabalho, questionando inclusive o papel do Tribunal Superior Eleitoral diante do caso.
No corpo do comunicado, a rede de supermercados sustenta que o Brasil atravessa um triplo esgotamento: ético, moral e de modelo. De acordo com os argumentos expostos no documento, o país estaria vivenciando uma erosão dos princípios fundamentais e uma negligência crescente com o interesse coletivo. Além disso, a empresa descreve um quadro de deterioração da credibilidade das instituições, criticando a naturalização de fatos que, em sua visão, deveriam ser fontes de indignação social.
Até o momento, os canais de comunicação não obtiveram resposta da direção da rede Zona Sul sobre a polêmica envolvendo a circulação interna desse material. O posicionamento da empresa segue aguardado pelas instâncias competentes e pela opinião pública, enquanto o MPT-RJ prossegue com a análise dos fatos para decidir os próximos passos processuais da investigação.













