Brasília (DF) – A articulação internacional contra gigantes da tecnologia ganhou tração nesta quarta-feira (14), quando a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que levará uma representação oficial à Organização dos Estados Americanos. O movimento visa responsabilizar a Meta por suposta interferência no pleito brasileiro, marcando um novo capítulo na queda de braço entre o QG governista e as plataformas digitais.
Camilo Santana, coordenador da estratégia eleitoral, detalhou que a decisão partiu diretamente do próprio chefe do Executivo. A investida não se restringe ao solo americano: representantes brasileiros já dialogaram com partidos e coletivos de defesa democrática em doze países, incluindo Reino Unido, Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos e Moçambique, para dar repercussão global ao caso.
As queixas acumulam-se desde os meses de pré-campanha, período em que a controladora do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp passou a ser alvo de questionamentos sobre a opacidade de seus algoritmos. Horas antes do anúncio na OEA, a equipe jurídica do candidato recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral após identificar bloqueios na distribuição de conteúdos publicados pelos perfis oficiais.
O estopim técnico ocorreu quando usuários e redações testaram os recursos de inteligência artificial das plataformas. Ao solicitar a criação de peças visuais associando o nome de Lula ao número 13, o sistema recusava a demanda sob a justificativa de indisponibilidade. Em contrapartida, o mesmo comando aplicado ao candidato rival Flávio resultou na entrega de cartazes promocionais completos com slogans e propostas de governo.
Além disso, o perfil oficial do candidato no Instagram sofreu instabilidades prolongadas, com a desativação temporária de ferramentas essenciais para compartilhamento de publicações por terceiros. Questionada sobre as divergências, a empresa alegou cumprimento estrito da legislação brasileira, argumentando que restrições automáticas foram implementadas para barrar recomendações e geração de imagens de postulantes a cargos públicos.
A Resolução 23.755 de 2026 proíbe expressamente que provedores de inteligência artificial priorizem candidaturas, emitam juízos ou direcionem preferências políticas. Para especialistas em governança digital, a ausência de dolo empresarial não exime a companhia de culpa, visto que a validação prévia dos sistemas é dever exclusivo de seus criadores.
O histórico de atrito com a dona do Instagram inclui episódios anteriores, como a suspensão de contas ligadas à imprensa independente registrada pela Federação Nacional dos Jornalistas e o congelamento da conta de anúncios da campanha governista em setembro. Um monitoramento conduzido pelo observatório CTRL+Z contabilizou mais de mil episódios de restrições arbitrárias, sendo quase um quarto deles executado sem qualquer justificativa aos usuários afetados.










