Vitória (ES) – O cenário socioeconômico argentino registrou uma reversão preocupante no primeiro semestre de 2026. Segundo o Instituto Nacional de Dados Estatísticos (Indec), a taxa de pobreza no país subiu para 32,3%, atingindo aproximadamente 9,7 milhões de cidadãos. O índice representa um salto em relação aos 28,2% contabilizados no semestre imediatamente anterior, sinalizando um desafio crescente para a estabilidade econômica local.
O mapeamento realizado pelo órgão oficial concentra-se em 31 regiões urbanas. Para chegar a esses números, o Indec avalia a capacidade das famílias de adquirirem a cesta básica alimentar e a cesta básica total, que engloba custos essenciais como moradia, vestuário e transporte. O relatório indica que, embora a renda familiar per capita tenha apresentado uma variação positiva de 11,5% no período, o custo de vida superou esse ganho: a cesta básica alimentar encareceu 21,4%, enquanto o conjunto total de despesas subiu 19,6%.
Entre os dados mais sensíveis da pesquisa está a composição demográfica dos atingidos pela escassez financeira. Conforme o levantamento, 44,5% das pessoas em situação de pobreza na Argentina têm até 14 anos, expondo a vulnerabilidade de crianças e adolescentes. Além disso, o contingente classificado na linha da indigência – o estrato mais crítico da pobreza – também expandiu sua fatia, passando de 6,3% no segundo semestre de 2025 para 7,5% nos primeiros seis meses deste ano, o que representa 2,2 milhões de indivíduos.
A deterioração dos indicadores sociais ocorre em um momento de contração na atividade econômica nacional. O Indec registrou que a economia argentina encolheu 2,9% em julho na comparação direta com junho. Esse movimento de retração é acompanhado pelo encerramento de empresas e pela perda de postos de trabalho, revertendo o otimismo que havia sido gerado pela queda gradual da pobreza observada ao longo do ano passado, quando o índice chegou a tocar a marca dos 28%.
Diante da repercussão negativa, o ministro da Economia, Luis Caputo, buscou contextualizar os números. O titular da pasta minimizou o impacto do avanço de 4,1 pontos percentuais na pobreza e de 1,2 ponto na indigência, focando em uma análise de longo prazo. Em manifestação pública, o ministro enfatizou que, ao comparar o cenário atual com o primeiro semestre de 2024 — período em que a taxa chegou a atingir 52,9% da população —, ainda há uma redução significativa nos níveis de privação.
Sobre a queda na atividade produtiva observada em julho, o ministro atribuiu o desempenho a fatores pontuais e condições climáticas adversas. Caputo citou a restrição no fornecimento de gás para a indústria manufatureira, o excesso de chuvas e nevascas que impactaram o setor de construção e mineração, além de uma redução pontual nas horas trabalhadas em diversos segmentos durante o período da Copa do Mundo. Segundo o ministro, apesar do tropeço de julho, o saldo dos sete primeiros meses de 2026 permanece positivo, com um crescimento acumulado de 1,7%.








