Brasília (DF) – O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne a partir das 10h desta sexta-feira (25) para deliberar sobre a abertura de um procedimento investigatório contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O colegiado avaliará o impacto de citações ao nome de Gonet em diálogos interceptados pela Polícia Federal no aparelho celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro que se encontra sob custódia.
Embora Gonet presida o CSMPF, a condução da sessão ficará a cargo do vice-presidente do órgão, Nicolau Dino. A dinâmica dos trabalhos começará com a exposição do relator, o subprocurador Francisco Sanseverino. Na sequência, os oito conselheiros deverão manifestar seus votos. Caso a maioria decida pelo prosseguimento do caso, será sorteado um novo subprocurador para conduzir a investigação por suposto crime comum. O arquivamento imediato também é uma possibilidade, caso o entendimento da maioria seja contrário à instauração.
A origem da controvérsia remonta à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que retirou o sigilo de uma parcela dos autos. O material continha registros de comunicações de Vorcaro com um número de telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. De acordo com os investigadores, o ex-banqueiro intensificou o envio de mensagens logo antes de sua prisão, efetuada em 17 de novembro do ano passado.
Em 15 de novembro de 2024, data anterior à sua detenção, Vorcaro manifestou inquietação com o andamento de apurações da Polícia Federal que, naquele momento, ainda tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Em um dos textos, o ex-banqueiro questionou: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”. A indagação fazia referência direta a Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Até o momento, contudo, a corporação não apresentou elementos que indiquem qualquer interferência real dos citados nos processos.
A situação ganhou repercussão adicional na última semana, quando veio a público um registro fotográfico em que o procurador-geral aparece compartilhando um charuto com Vorcaro e outros indivíduos associados ao ex-banqueiro, durante um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. Questionado sobre a proximidade, Gonet refutou qualquer relação íntima e classificou o contato com o ex-banqueiro como um episódio breve e banal.
Diante do desdobramento, o procurador-geral recorreu ao STF solicitando a anulação do relatório policial que compilou as conversas. Gonet sustenta que o ministro André Mendonça teria atuado de forma irregular ao ordenar o aprofundamento das investigações sem passar pelo crivo do plenário da Corte. Uma tentativa de analisar esse pedido de anulação chegou a ser pautada para a última quarta-feira (23), mas a sessão foi posteriormente cancelada.









