Venda Nova do Imigrante (ES) – A quinta-feira foi marcada por forte aversão ao risco nos mercados financeiros, impulsionada por um ambiente externo de cautela e apreensão com as contas públicas domésticas. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,193, registrando uma alta de 0,47% e alcançando o patamar mais elevado desde o final de agosto. Ao longo da sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,16 e a máxima de R$ 5,202, registrada por volta das 15h. Com esse resultado, a divisa passou a acumular ganhos de 0,26% em setembro, embora ainda mantenha uma retração de 5,39% no acumulado do ano.
O movimento de valorização acompanhou a tendência internacional da moeda, refletida no índice DXY, que subiu 0,14% e atingiu 101,270 pontos no fim da tarde. A pressão sobre os ativos emergiu ainda pela manhã, sustentada pela disparada nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Os títulos públicos norte-americanos de dez anos escalaram para 5,2209% no encerramento da sessão, superando a marca de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007. Taxas mais atraentes na maior economia do mundo costumam provocar uma fuga expressiva de capitais de países emergentes, como o Brasil.
Para conter as oscilações, a autoridade monetária realizou dois leilões de linha simultâneos, injetando US$ 1 bilhão no mercado por meio de operações com compromisso de recompra futura. A medida buscou ampliar a liquidez e a oferta de moeda estrangeira, em um momento em que o fluxo cambial brasileiro de setembro acumulava saldo negativo de US$ 7,078 bilhões até o dia 18. No mesmo dia, o Banco Central revisou para baixo as perspectivas de crescimento do Produto Interno Bruto, reduzindo a estimativa para 2026 de 2% para 1,8%, além de projetar expansão de 1,4% para o ano seguinte.
No mercado acionário, o Ibovespa fechou em baixa de 0,99%, aos 183.965,91 pontos, flutuando entre a mínima de 183.834,97 e a máxima de 186.211,43 pontos. A retração refletiu o recuo na demanda por ativos de maior risco, acentuada pelo avanço do petróleo e pelas incertezas fiscais no âmbito interno. O governo federal divulgou novas projeções para as contas públicas, reduzindo a necessidade de contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, mas elevando para R$ 80,9 bilhões a estimativa de déficit efetivo para 2026, enquanto investidores também monitoravam o cenário eleitoral.
As cotações do petróleo dispararam no mercado internacional devido às incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã e ao potencial de reabertura do Estreito de Ormuz. O barril do tipo Brent subiu 3,41%, fechando cotado a US$ 106,60, enquanto o WTI avançou 2,65%, a US$ 94,61. Apesar de um alívio parcial nos preços à tarde com notícias sobre possíveis entendimentos diplomáticos, a pressão inflacionária gerada pela commodity permaneceu no radar global, alimentando temores sobre a manutenção de juros elevados em várias economias.












