Brasília (DF) – O programa de governo da candidata à Presidência da República pela Unidade Popular, Samara Martins, apresenta um projeto de transformação estrutural focado na superação do modelo capitalista. Com 67 páginas divididas em 18 eixos, o documento registrado no TSE descreve a construção de uma sociedade socialista como meta central. A chapa é composta exclusivamente por mulheres, tendo como vice a guarda portuária e dirigente sindical Raquel Brício.
Samara Martins, de 38 anos, é cirurgiã-dentista e profissional do SUS no Rio Grande do Norte. O plano propõe mudanças profundas no sistema de trabalho brasileiro, incluindo a elevação imediata do salário mínimo para R$ 3.242, o que representaria um acréscimo de R$ 1.621 sobre o valor atual. Além da valorização salarial, o partido defende a extinção da jornada 6×1, substituindo-a pela escala 4×3 para todos os trabalhadores, acompanhada pela garantia de emprego para adultos aptos ao exercício profissional.
Na seara econômica, o texto defende a suspensão do pagamento da dívida pública e a realização de uma auditoria cidadã. A estimativa da legenda é que cerca de R$ 2 trilhões poderiam ser redirecionados para investimentos sociais. O plano prevê a nacionalização de bancos e a estatização do sistema financeiro, além da submissão das políticas do Banco Central às diretrizes governamentais de desenvolvimento social, pondo fim à autonomia da instituição.
A proposta de reestatização atinge setores estratégicos. O programa menciona explicitamente a retomada do controle estatal sobre a Eletrobras e a Petrobras, além de empresas como a Vale, companhias de saneamento, telecomunicações e serviços de transporte, como metrôs e trens. O projeto veta novos leilões de petróleo e propõe o fim de privatizações, estabelecendo o monopólio público na geração de energia, mineração e na indústria de defesa.
O sistema tributário também é alvo de mudanças estruturais, com o partido sugerindo a isenção de Imposto de Renda para trabalhadores e o fim da tributação sobre itens da cesta básica. Em contrapartida, a proposta foca em tributação progressiva sobre grandes fortunas, lucros, dividendos e heranças de bilionários, além de ajustes nas alíquotas de ICMS e IVA.
As pautas sociais do grupo incluem a criminalização da misoginia, igualdade salarial entre gêneros e a legalização do aborto. No campo da segurança, o plano defende a desmilitarização das polícias e uma reorganização das carreiras. Para o Judiciário, a UP propõe a eleição direta de juízes e integrantes de tribunais superiores, além da extinção de benefícios salariais que excedam o teto constitucional. O programa ainda sugere a estatização de monopólios de rádio e TV, focando no incentivo à cultura popular e na nacionalização de grandes produtoras cinematográficas.











