Nova York, Estados Unidos – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca neste domingo, dia 20, em Nova York para representar o Brasil na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Esta é a 11ª vez que o mandatário participa do encontro internacional, reafirmando um compromisso histórico que, em seus três mandatos, só foi interrompido no ano de 2010. A agenda oficial terá início imediato, com uma série de reuniões bilaterais reservadas para a segunda-feira.
O ponto alto da viagem ocorre na terça-feira, pela manhã, quando Lula terá uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres, antes de subir à tribuna para o discurso de abertura. A expectativa é que o presidente utilize o espaço para defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU, tema que o Brasil historicamente trata como urgente, criticando a ineficácia do órgão diante da escalada de conflitos globais.
A diplomacia brasileira pretende reforçar a bandeira do multilateralismo como caminho indispensável para a solução de disputas. O discurso presidencial deve reiterar o respeito ao direito internacional humanitário, a valorização das negociações diplomáticas e a manutenção do princípio de não interferência em assuntos internos de outras nações. A estadia na cidade será breve: o retorno ao Brasil está programado para o mesmo dia da fala na Assembleia.
Embora não exista confirmação oficial, a presença de Donald Trump no evento gera especulações sobre um possível encontro de bastidores. O presidente dos EUA será o segundo a discursar, logo após Lula, criando uma janela de oportunidade para um contato. Em ocasiões anteriores, a relação entre ambos foi descrita por Trump como dotada de uma química positiva, mas, por ora, a diplomacia mantém cautela sobre qualquer agenda formal entre os líderes.
Paralelamente à movimentação presidencial, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, comandará uma extensa maratona diplomática ao longo de toda a semana. Vieira participará de encontros do Brics, IBAS, G77, G4, L69 e da CPLP, além de reuniões da Celac e do Consenso de Brasília. O chanceler ainda presidirá, no dia 23, o encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e, no dia 24, a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, órgão que o Brasil preside atualmente por um triênio.
A comitiva brasileira é composta ainda pelos ministros Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social; Esther Dweck, da Gestão e Inovação; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial. O grupo se dedicará a pautas específicas, incluindo proteção social, combate à desigualdade, situação da Palestina, consolidação da paz e questões voltadas à segurança alimentar.











