Vitória (ES) – O cenário das grandes petroleiras internacionais passou por uma mudança significativa nos primeiros seis meses de 2026. Pela primeira vez desde o início do acompanhamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Petrobras assumiu o topo do ranking mundial em margem de lucro. O levantamento, coordenado pelo economista Cloviomar Cararine, aponta que a companhia brasileira superou nomes consolidados do mercado, como a saudita Saudi Aramco e as norte-americanas ExxonMobil e Chevron.
A métrica utilizada diferencia a eficiência operacional do volume bruto de ganhos. Enquanto o lucro líquido representa o valor final após todas as obrigações fiscais e operacionais, a margem indica a parcela da receita total — oriunda da venda de combustíveis e óleo cru — que efetivamente se converte em ganho para a empresa. Com uma margem de 29,15% no primeiro semestre de 2026, a Petrobras liderou a lista, à frente da Saudi Aramco, que registrou 25,48%, e da Chevron, com 18,01%.
A ascensão da estatal brasileira ao primeiro lugar marca uma inversão histórica. Entre 2020 e 2025, a liderança era mantida pela Saudi Aramco, com a Petrobras ocupando quase sistematicamente a segunda posição, com exceção do ano de 2024. Para o cálculo, foram utilizadas informações oficiais divulgadas pelas próprias corporações, excluindo empresas chinesas como a Sinopec e a PetroChina do escopo comparativo.
Quando a análise se volta estritamente para o volume de lucro absoluto, convertido em dólares, a Petrobras posiciona-se como a terceira maior entre as potências do setor. No primeiro semestre, a companhia atingiu US$ 16,6 bilhões, ficando atrás apenas da Saudi Aramco, com US$ 65,4 bilhões, e da ExxonMobil, que somou US$ 18,7 bilhões. O resultado da brasileira supera nomes de peso como Shell (US$ 15,5 bilhões) e Chevron (US$ 14,3 bilhões).
A eficiência operacional, segundo a análise técnica, foi o pilar que sustentou este desempenho inédito. Fatores externos, como a alta nos preços internacionais do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio, somaram-se a decisões internas de gestão. Entre elas, destaca-se a redução de despesas gerais e a manutenção do modelo de empresa integrada, que abrange desde a extração até o refino do óleo. Além disso, o aumento da produção contribuiu para que a companhia absorvesse melhor as variações de mercado.
Dados do segundo trimestre de 2026 reforçam essa tese de robustez. A Petrobras alcançou a produção recorde de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, com cerca de 30% desse volume direcionado ao mercado externo. Paralelamente, a utilização do parque de refino também atingiu um marco histórico, com o Fator de Utilização (FUT) alcançando 101,2%. Para os especialistas, essa convergência entre capacidade produtiva e otimização das refinarias oferece à estatal uma resiliência superior para enfrentar ciclos de crise frente às suas principais concorrentes globais.










