Guarapari (ES) – O hábito de adquirir itens essenciais no ambiente digital não elimina o receio dos consumidores quando o assunto é saúde. Uma pesquisa realizada em julho deste ano aponta que 69% dos brasileiros temem receber medicamentos falsificados ao realizar compras pela internet. O levantamento, que ouviu 2.024 responsáveis pela compra de fármacos no domicílio em todas as regiões do país, também destaca outros pontos de insegurança, como o recebimento de produtos vencidos ou armazenados de maneira precária, preocupação compartilhada por 59% dos entrevistados.
Para a maioria absoluta dos consultados, a responsabilidade sobre a oferta de produtos sem registro ou de procedência duvidosa recai diretamente sobre as plataformas de venda online. A percepção do público é clara: 82% defendem que a comercialização digital deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria devidamente licenciada. Além disso, 71% dos participantes do estudo avaliam que medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns em marketplaces, dado o risco intrínseco aos produtos.
O debate ganhou novo fôlego após a recente revogação de medidas que restringiam a publicidade e a venda de medicamentos em grandes plataformas de e-commerce. Embora a Lei nº 15.357/2026 permita agora que farmácias utilizem canais digitais para logística e entrega, a implementação prática ainda aguarda regulamentação específica da Anvisa. A agência ressaltou que a decisão não autoriza a venda automática nesses espaços e que o aperfeiçoamento das normas sanitárias segue em processo administrativo, aprovado pela Diretoria Colegiada no dia 19 de agosto.
Representantes do setor farmacêutico insistem que a conveniência tecnológica não pode se sobrepor à segurança. A posição defendida é que o controle de prescrições, a rastreabilidade e a assistência farmacêutica profissional precisam ser preservados, independentemente do canal utilizado para a entrega. O Conselho Federal de Farmácia reforçou que a presença das plataformas servirá apenas como ferramenta operacional para os estabelecimentos licenciados, algo que será acompanhado rigorosamente durante a fase de definição das normas.
Enquanto as regras definitivas não são estabelecidas, especialistas recomendam cautela redobrada aos consumidores. O Procon-RJ alerta que a responsabilidade por qualquer prejuízo na qualidade ou garantia do medicamento é das farmácias e das plataformas envolvidas. É fundamental que o comprador desconfie de preços muito abaixo dos valores praticados pelo mercado, que costumam ser indícios de irregularidades, além de preservar cuidadosamente notas fiscais e registros do anúncio para fins de eventual reclamação.
O perfil do consumidor digital brasileiro é precavido: nove em cada dez pessoas costumam verificar a credibilidade de um site antes de finalizar um pedido. No entanto, o histórico de experiências negativas em compras online, citado por 69% dos entrevistados, alimenta a cautela ao tratar de itens de saúde. A assistência do farmacêutico continua sendo o maior pilar de confiança para 78% do público, reafirmando que, apesar da agilidade buscada no e-commerce, o setor farmacêutico mantém exigências específicas que a tecnologia, por si só, ainda não é vista como capaz de substituir.












