Venda Nova do Imigrante (ES) – Venda Nova do Imigrante recebeu, na noite desta sexta-feira (24), o lançamento do livro “Borboletas Marrons”, da escritora capixaba Ireni Peterle Brioschi. O evento reuniu leitores e autoridades culturais na Casa da Cultura, a partir das 18h, quando a autora autografou exemplares para o público presente.
O enredo tem como ponto de partida um caso real: o desaparecimento de uma menina no interior capixaba, entre montanhas, cafezais e caminhos de terra. O caso deixou uma comunidade marcada pelo silêncio, pelo medo e por perguntas que nunca foram respondidas.
A história é conduzida pela personagem Serena, que representa a inocência e os sonhos da infância. A partir dela, Ireni entrelaça memória afetiva, apuração investigativa e fatos documentados, compondo um relato que atravessou profundamente uma família e toda uma região do estado.
No prefácio, a escritora e produtora cultural Neusa Jordem descreve o livro como um trabalho que vai além de contar uma história: preserva memórias, dá voz a quem foi silenciado e transforma sofrimento em testemunho. Para ela, a obra ultrapassa os limites da narrativa tradicional para se tornar um registro sensível sobre memória, justiça e humanidade.
Capítulos como “A noite em que a vila silenciou”, “Entre pedras e silêncio” e “21 anos depois” acompanham essa transformação. O que começa como lembrança pessoal se converte, ao longo da leitura, em uma investigação sobre perdas irreparáveis, silêncios coletivos e a busca constante pela verdade.
O símbolo por trás do título
O nome da obra carrega um significado central na narrativa. Diferentemente das borboletas coloridas, associadas à leveza e à transformação, as borboletas marrons que aparecem na história remetem ao peso da memória, ao mistério e à permanência — como se ocupassem um espaço entre o natural e o inexplicável.
Uma das cenas mais citadas do livro é justamente aquela em que essas borboletas surgem entre as pedras e o silêncio da mata, apontada como um dos momentos mais poéticos da obra.
Mais do que revisitar um crime, “Borboletas Marrons” se propõe como uma homenagem à memória, à esperança e à coragem de quem transformou a dor em luta. É também um convite à reflexão sobre a proteção das crianças e sobre a responsabilidade coletiva de impedir que histórias como essa se repitam.
No prefácio, Neusa Jordem resume esse espírito: recordar é também uma forma de resistir ao esquecimento. Mais do que um livro, a obra funciona como um testemunho — um voo delicado sobre as paisagens da memória humana, em que cada página lembra que certas histórias, por mais dolorosas que sejam, precisam ser contadas para que não voltem a acontecer.
Quem é Ireni Peterle Brioschi
Natural de Domingos Martins, no interior do Espírito Santo, Ireni Peterle Brioschi mora em Venda Nova do Imigrante desde 1994. É graduada em Serviço Social e servidora pública estadual aposentada, tendo atuado por mais de 35 anos como Perita Oficial Criminal da Polícia Civil do Espírito Santo, passando por diferentes regiões do estado.
Na literatura, é acadêmica titular fundadora e presidente da Alaveni, onde ocupa a Cadeira nº 1, patroneada pelo escritor Jorge Amado. É também acadêmica correspondente da Academia de Letras e Artes de Poetas Trovadores, instituição na qual representa a cultura e a literatura capixabas.
Uma data simbólica
A Alaveni — Academia de Letras e Artes de Venda Nova do Imigrante — nasceu em 25 de julho de 2023, no Dia do Escritor, com a missão de reunir escritores locais em defesa da literatura e da cultura do município. O lançamento de “Borboletas Marrons” aconteceu justamente nessa data simbólica para a instituição, unindo celebração literária e fortalecimento da produção cultural da região.
A obra foi publicada pela Editora Jordem, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e da Prefeitura Municipal de Venda Nova do Imigrante.













