Meshed, Irã – O cenário geopolítico no Oriente Médio tornou-se ainda mais incerto nesta quinta-feira (9). Em uma demonstração de força que marca o rompimento definitivo de qualquer tentativa de cessar-fogo, a Força Aérea do Irã lançou uma ofensiva contra posições estratégicas de aliados norte-americanos. A investida incluiu disparos de mísseis contra a Jordânia, o uso de drones para neutralizar uma antena de satélite no Catar e ataques diretos contra quatro instalações militares dos Estados Unidos, sendo duas situadas no Kuwait e duas no Bahrein.
A ofensiva iraniana responde a uma série de bombardeios iniciados pelas forças do Comando Central norte-americano. Na quarta-feira (8), os EUA atingiram cerca de 90 alvos militares iranianos, focando em sistemas de defesa aérea, depósitos de armamentos e infraestrutura logística costeira. Somado às operações do dia anterior, quando 80 pontos foram alvejados em represália a incidentes envolvendo três embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, o balanço é trágico: o Ministério da Saúde iraniano confirmou 14 mortos e 78 feridos nos ataques mais recentes.
Enquanto o conflito se expandia no campo militar, o país parava para o encerramento das cerimônias fúnebres de Ali Khamenei. O sepultamento do ex-líder supremo, falecido ainda nos primeiros dias da guerra, aconteceu no santuário de Imam Reza, em Meshed, cidade localizada perto da fronteira com o Afeganistão. A atmosfera no local era de revolta, com uma multidão de peregrinos entoando pedidos de vingança e erguendo faixas contra a administração dos Estados Unidos.
Um detalhe acentuou a tensão do evento: a televisão estatal iraniana reportou que um dos ataques norte-americanos atingiu uma ferrovia nas imediações do santuário onde ocorria o funeral. Observadores notaram a ausência de Mojtaba, filho de Khamenei e sucessor no posto, que não é visto em público desde o deflagrar do conflito, o que alimenta especulações sobre a atual estrutura de comando no país.
O foco estratégico das partes continua concentrado no Estreito de Ormuz, ponto crucial para o fluxo de navios. Embora a circulação tenha atingido a marca de 40 embarcações por dia nas últimas duas semanas — o maior volume desde o início das hostilidades —, a retórica oficial se mantém rígida. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, reiterou nesta quinta-feira que a normalização do tráfego na região não será alcançada por meio de ameaças, mas exclusivamente através de negociações diretas com Teerã.










