São Paulo (SP) – O mercado financeiro viveu uma segunda-feira (6) de sinais trocados. Enquanto a moeda americana engatou seu terceiro dia seguido de baixa, consolidando o menor valor desde 17 de junho, a B3 seguiu em direção oposta. O dólar comercial encerrou o pregão cotado a R$ 5,132, acumulando agora uma desvalorização de 6,50% frente ao real no decorrer de 2026. Já o Ibovespa, principal termômetro da bolsa brasileira, recuou 0,93%, estacionando aos 172.447,58 pontos e entregando parte do fôlego conquistado na semana anterior.
A falta de indicadores domésticos de peso deixou o terreno livre para influências externas e para o desempenho das commodities. O setor exportador, ancorado no bom momento da soja, do minério de ferro e no recorde recente das vendas de carne, criou um fluxo de entrada de divisas que pressionou o câmbio para baixo. A fraqueza do dólar no mercado global também ajudou o real a recuperar terreno, apesar da estabilidade observada no índice DXY ao final da sessão.
Por outro lado, o humor na bolsa brasileira não acompanhou a euforia dos Estados Unidos. Wall Street terminou o dia no azul, impulsionada por gigantes da tecnologia e empresas focadas em inteligência artificial. Esse movimento global de busca por ativos americanos acabou por drenar o interesse de investidores por mercados emergentes, como o Brasil. Por aqui, o clima foi de cautela redobrada.
O radar doméstico esteve congestionado. A proximidade das eleições de 2026, somada às incertezas sobre o horizonte fiscal após 2027, travou o ânimo dos investidores locais. Pesou também no ambiente de negócios o início da audiência conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para debater as práticas comerciais brasileiras.
O foco agora se desloca para o meio da semana. Na quarta-feira (8), a expectativa é pela publicação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), documento que deve oferecer pistas cruciais sobre a política de juros norte-americana. O mercado também se prepara para receber, na sexta-feira (10), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a junho. Ambas as divulgações serão determinantes para as projeções de juros, tanto em Brasília quanto em Washington.
No setor de energia, o petróleo enfrentou um dia de ajustes técnicos e recuou nas praças internacionais. O Brent terminou o dia em US$ 71,99, uma queda de 0,18%, enquanto o WTI fechou cotado a US$ 68,55, baixa de 0,20%. O movimento foi uma resposta à decisão da Opep+ de ampliar a oferta global a partir de agosto, auxiliada ainda pela retomada do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz. Diplomacia entre Estados Unidos e Irã e o aumento das exportações de óleo pela Rússia completaram o cenário que freou qualquer ímpeto de alta da commodity.













