Maricá (RJ) – O mar que banha o litoral do Rio de Janeiro esconde uma atividade geológica silenciosa, mas constante. Às 17h59 de um sábado, dia 4, os aparelhos registraram um tremor de terra de magnitude 3,0 no oceano, a cerca de 60 quilômetros de Maricá. Na areia ou nas avenidas da cidade, ninguém sentiu o chão balançar.
Os sismólogos classificam o fenômeno como um sismo raso, originado em uma profundidade estimada entre zero e dez quilômetros. O impacto é considerado de baixa magnitude, incomparável ao de grandes desastres, como os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que castigaram a Venezuela no fim de junho, provocando cerca de 3 mil mortes.
O registro do abalo coube ao Centro de Sismologia da USP, que integra a Rede Sismográfica Brasileira. O grupo de monitoramento nacional reúne ainda a Universidade de Brasília, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e o Observatório Nacional, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Movimentação invisível sob as ondas
O sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional, explica que o fenômeno está longe de ser uma anomalia inédita. A margem sudeste do país é a principal zona sísmica offshore brasileira. O especialista detalha que o Brasil registra pequenos tremores de terra com certa frequência devido às tensões tectônicas que atuam na crosta terrestre, mas a imensa maioria ocorre sem que a população perceba.
Os dados recentes mostram que a terra sob o Atlântico tem se movimentado de forma recorrente nessa faixa litorânea. Pouco antes do evento mais recente, em 21 de maio, outro tremor de magnitude 3,3 foi registrado na costa de Maricá. Mais ao leste, entre os dias 26 e 30 de junho, o litoral próximo a Saquarema somou nove pequenos abalos sucessivos, com o maior deles atingindo magnitude 2,5.
A ciência, contudo, lida com limites claros diante desses movimentos profundos. Os técnicos que acompanham os dados deixam claro que não há ferramentas capazes de prever como essa atividade sísmica vai se comportar ou evoluir na região.













