Maricá (RJ) – Uma encosta cortada de forma abrupta, com alto risco de desmoronamento sobre residências vizinhas, e um rastro de quase 18 mil metros quadrados de vegetação devastada. Esse foi o cenário alarmante encontrado por fiscais na Rua Sabará, localizada no distrito de Inoã, no município de Maricá. No local, uma atividade de extração mineral ilegal que operava de forma clandestina foi completamente interrompida na última sexta-feira, dia 3, em uma operação coordenada pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA) para combater crimes ambientais na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A vistoria minuciosa na área, que soma 17.886 metros quadrados de extensão, confirmou um passivo ecológico de proporções severas. Somado ao desmatamento e ao corte irregular do talude, a movimentação desordenada de terra provocou processos erosivos acelerados e alterou de forma drástica a paisagem nativa. A exploração irregular de recursos minerais, quando executada sem critérios técnicos ou autorização dos órgãos competentes, costuma acarretar sérios prejuízos ambientais, incluindo o assoreamento de rios próximos e a degradação persistente do solo.
Apreensão de maquinário e penalidades
No momento da abordagem das equipes de fiscalização, os trabalhos foram paralisados de imediato e uma retroescavadeira que operava no terreno foi apreendida. O equipamento acabou removido para um depósito público. Três pessoas que se encontravam no espaço e estavam envolvidas na lavra foram identificadas e formalmente autuadas pelos agentes do INEA.
A autuação administrativa tem como base jurídica a Lei Estadual 3.467/2000, dispositivo legal que regulamenta as sanções a infrações ambientais no estado do Rio de Janeiro. Devido à extensão dos danos causados à natureza e ao perigo real imposto à segurança das moradias do entorno, o valor estimado das multas individuais ou coletivas aplicadas aos infratores pode atingir a marca de R$ 1 milhão.
Encaminhamento para a delegacia especializada
Paralelamente ao embargo sumário da área de extração e das multas financeiras, o grupo foi levado sob custódia para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA). Na sede da especializada, os envolvidos prestaram depoimento à autoridade policial e foram autuados por crime ambiental, devendo responder criminalmente pelos danos causados à região.











