Brasília (DF) – O embate entre a equipe econômica e a oposição atingiu um novo capítulo na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (17). Dario Durigan, titular da Fazenda, utilizou sua presença na Casa para sustentar uma tese central: a carga tributária, sob a ótica do governo, tornou-se mais equilibrada para quem compõe a base da pirâmide salarial brasileira. O posicionamento surgiu como resposta direta a parlamentares que acusam o Planalto de inflar impostos indiscriminadamente.
Para Durigan, a conta é simples e foca na representatividade. Ele argumentou que o brasileiro que recebe até R$ 7.350 mensais — fatia que abrange mais de 90% da população — enfrenta hoje uma pressão fiscal reduzida. Como prova, o ministro elencou a estratégia de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, uma medida que, segundo ele, pavimenta o caminho para uma justiça tributária há muito tempo ignorada.
A lógica da isonomia
O ministro, que substituiu Fernando Haddad em compromissos no Legislativo, contestou a narrativa de que o governo busca apenas arrecadar. Ao ser confrontado pelo deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES) sobre a taxação de fundos exclusivos e o setor de apostas, Durigan foi incisivo. Ele defendeu que o governo não criou novos impostos contra o contribuinte comum, mas sim buscou corrigir distorções em setores que, anteriormente, operavam com benefícios questionáveis. “É uma medida de isonomia”, pontuou, citando que o dono de uma empresa de apostas ou o investidor de fundos fechados deve contribuir de forma equiparada ao cidadão médio.
Cenário econômico e o desafio do PIB
Além da discussão tributária, o titular da Fazenda trouxe dados para defender o fôlego atual da economia. Com um crescimento de 1,1% no PIB do primeiro trimestre, o governo celebra, especialmente, o salto de 3,5% na formação de capital fixo. Para Durigan, esse investimento em máquinas e infraestrutura é um sinal de resiliência, mesmo sob a sombra dos juros elevados, que ele descreveu como um desafio constante a ser administrado.
A inflação também entrou na pauta. Embora admita cautela diante das turbulências globais — como as crises no Oriente Médio que impactam o preço dos combustíveis —, o ministro reforçou que o índice se mantém na mínima histórica para um mandato presidencial. Medidas como o controle orçamentário de R$ 23 bilhões e o manejo dos subsídios aos combustíveis foram apresentados como escudos fundamentais para manter esse cenário estável.
O impasse no campo
Outro ponto de tensão que ocupou as conversas entre o Executivo e o Legislativo foi o projeto de refinanciamento de dívidas do agronegócio, o chamado Refis do Agro. Com um impacto estimado em R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos, a proposta aprovada no Senado ascendeu um sinal de alerta na Fazenda. Durigan evitou classificar o projeto como uma “pauta-bomba”, mas não escondeu a preocupação com a dosagem da ajuda.
O ministro argumentou que o socorro precisa ser cirúrgico, lembrando que, hoje, apenas 5% dos produtores rurais com débitos junto ao Banco do Brasil enfrentam a inadimplência. “Nós vamos achar uma solução, mas o foco é não errar na dose”, concluiu, sinalizando que a negociação com o Congresso ainda terá capítulos decisivos.










