Brasília (DF) – Existe uma montanha de dinheiro esquecida nos bancos que, pouco a pouco, volta para o bolso dos donos legítimos. Apenas em abril, os brasileiros resgataram R$ 482,8 milhões que estavam parados no sistema financeiro. Com esse lote, o Sistema de Valores a Receber (SVR) já alcançou a marca de R$ 15 bilhões devolvidos a clientes de bancos, consórcios e outras instituições.
O cenário das contas esquecidas mudou recentemente. Até abril, o saldo disponível passava dos R$ 10,3 bilhões. Porém, o governo federal redirecionou uma fatia considerável desses recursos, cerca de R$ 5,7 bilhões, para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), com o objetivo de dar suporte às renegociações de dívidas do Desenrola Brasil 2.0. Quem tem direito a essa verba transferida não perdeu o dinheiro, mas precisará agir rápido: após a publicação de um edital de chamamento que vai normatizar as contestações, haverá um prazo de 30 dias para pedir a devolução, sob o risco de os valores ficarem em definitivo com o fundo público.
A realidade por trás dos números mostra que a imensa maioria dos beneficiários tem direito a quantias quase simbólicas. Aqueles que têm até R$ 10 para receber representam a esmagadora maioria dos casos, somando 64,57% do total. Na faixa seguinte, de R$ 10,01 a R$ 100, estão 23,42% dos correntistas. Os valores entre R$ 100,01 e R$ 1 mil atendem a 9,91% dos clientes, enquanto apenas um grupo restrito de 2,1% tem direito a resgates que ultrapassam a barreira dos R$ 1 mil.
Até o encerramento de abril, as estatísticas indicavam que 41.465.905 correntistas já haviam feito saques, divididos entre 36.955.690 pessoas físicas e 4.510.215 empresas. Por outro lado, a lista de quem ainda não retirou os recursos é ainda maior: são 50.333.796 beneficiários na fila de espera, sendo 45.323.751 CPFs e 5.010.045 CNPJs.
Como consultar e resgatar o dinheiro
Para descobrir se há alguma quantia esquecida, o processo é simples e não exige login imediato. Basta acessar a plataforma oficial informando o CPF e a data de nascimento, ou o CNPJ e a data de abertura no caso de empresas — mesmo aquelas que já encerraram as atividades. Havendo saldo positivo, o resgate exige uma conta Gov.br com nível de segurança prata ou ouro, além da ativação da verificação em duas etapas.
O resgate pode ser feito por três caminhos: entrando em contato direto com a instituição financeira detentora dos valores, solicitando pelo próprio sistema ou ativando a opção de resgate automático. Esta última modalidade, voltada apenas para pessoas físicas que possuam chave Pix associada ao CPF, dispensa a verificação constante do sistema, uma vez que o crédito entra direto na conta do beneficiário de forma facultativa.
Esses saldos perdidos se acumulam por diversos motivos, desde contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo residual até cotas de consórcios finalizados, sobras de cooperativas de crédito e tarifas cobradas de forma indevida pelas instituições.
Cuidado com golpes
A existência de bilhões de reais esquecidos atrai também a ação de estelionatários. O serviço de consulta e devolução é totalmente gratuito. Mensagens com links suspeitos, promessas de intermediação mediante taxas ou pedidos de senhas pessoais são sinais claros de fraude. Nenhuma instituição oficial entra em contato direto para confirmar dados pessoais ou solicitar senhas.













