São Paulo (SP) – O mercado financeiro encerrou a última sexta-feira (31) sob o efeito de cautela externa. O dólar à vista fechou cotado a R$ 5,069, uma leve alta de 0,13% no dia. O ajuste, embora tímido, reflete o comportamento da moeda estadunidense no exterior e a busca recorrente por proteção em ativos seguros diante da escalada de tensões no Oriente Médio. Apesar da movimentação de alta na sessão, a divisa encerra o mês com um recuo acumulado de 1,82%.
A valorização da moeda americana ao longo da sexta-feira foi influenciada pelo discurso de dirigentes do Federal Reserve (Fed), que sinalizaram apoio ao aumento de juros nos Estados Unidos, elevando o rendimento dos títulos do Tesouro. Internamente, o câmbio acompanhou o fim da disputa pela formação da Ptax, a taxa que baliza a correção de contratos da dívida pública e reservas internacionais.
Se julho trouxe alívio para o dólar, o mesmo não se pode dizer das commodities. O petróleo viveu um mês de disparada, impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. O Brent atingiu US$ 87,93, subindo 1,21% no dia, enquanto o WTI fechou a US$ 84,67, uma alta de 1,29%. No acumulado do mês, o salto foi superior a 20% para ambos os indicadores. Relatos de interceptação de navios-tanque no Estreito de Ormuz e ataques a bases americanas pautaram a pressão no setor, com o mercado agora voltado para a decisão da Opep+ sobre os níveis de produção.
Mesmo com a instabilidade geopolítica, a bolsa brasileira manteve fôlego. O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,47%, aos 177.999 pontos, o que representa seu melhor fechamento desde 14 de maio. Com esse resultado, o principal índice da B3 encerra julho com ganho de 3,47%, interrompendo uma sequência negativa que durava quatro meses. Em 2026, o indicador já acumula uma valorização de 10,47%.
O dia na B3 também foi marcado por um imprevisto operacional. Uma falha em um componente da infraestrutura de pós-negociação atrasou a abertura das bolsas de ações e juros por mais de duas horas. Segundo a instituição, não houve sinal de ataque cibernético e o problema técnico não comprometeu a trajetória dos ativos durante a sessão, que acabou se recuperando ao longo da tarde.
O cenário para o real ao longo de julho foi sustentado por um tripé resiliente: o fluxo de capital estrangeiro, a manutenção de juros altos que favorecem o carry trade e a própria escalada do petróleo, visto que o Brasil atua como um player relevante na exportação da commodity. No acumulado do ano, a moeda brasileira ainda mantém uma performance positiva, registrando um recuo de 7,73% no dólar.











