O presidente Luiz Inácio Lula da Silva homenageou neste domingo, dia 3, o centenário de nascimento do geógrafo brasileiro Milton Santos, um dos intelectuais mais influentes do país e referência acadêmica global. O presidente destacou a capacidade singular do pensador baiano em decifrar as complexidades brasileiras e as disparidades geradas pelo processo de globalização.
A visão crítica sobre o mundo
Para o chefe do Executivo, o trabalho de Santos permanece indispensável para a compreensão das transformações geopolíticas contemporâneas. Em suas redes sociais, Lula ressaltou que a obra do geógrafo oferece lentes precisas para observar tanto as desigualdades do sistema global quanto a força transformadora que emerge das periferias urbanas.
Relevância global e acadêmica
Falecido em 2001 aos 75 anos, Milton Santos consolidou uma trajetória intelectual de alcance mundial. Seus conceitos teóricos hoje são aplicados em pesquisas sobre dinâmicas urbanas em diversas partes do globo, abrangendo desde países africanos como Gana até centros europeus como Londres e Paris.
O conceito de globalização perversa
Um dos pilares de seu pensamento está registrado no livro Por uma outra globalização, lançado no ano 2000. Na obra, o autor questiona a promessa de progresso atrelada ao mercado global, classificando o fenômeno como perverso. Para ele, a tentativa de impor uma uniformidade ao planeta serve apenas aos interesses de grupos hegemônicos, resultando no aprofundamento das diferenças locais em vez da integração prometida.
Um pensamento necessário
Ao criticar o que chamou de pensamento único, o geógrafo argumentou que o mundo se tornou menos unido, distanciando a humanidade de uma cidadania universal plena. O centenário de Milton Santos é marcado por diversas celebrações, incluindo uma exposição no Itaú Cultural, em São Paulo, que convida o público a explorar a profundidade de suas reflexões sobre a sociedade.












