Brasília (DF) – O senador Eduardo Girão, do Novo do Ceará, utilizou seu tempo de fala em uma videoconferência realizada nesta segunda-feira, dia primeiro, para defender que o Brasil mude sua postura diante do domínio territorial exercido pelas facções criminosas. O centro da discussão foi a decisão recente do governo dos Estados Unidos de rotular o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como organizações terroristas globais.
Para o senador, a decisão de Washington funciona como um despertador para uma discussão que o Estado brasileiro evita enfrentar há tempos. Girão argumenta que a soberania nacional, frequentemente invocada para blindar o debate interno, não pode servir de escudo para a inércia contra grupos que desafiam a autoridade estatal. Na visão do parlamentar, a verdadeira independência de um país é medida pela sua capacidade de garantir que as leis sejam cumpridas e que o cidadão esteja protegido do arbítrio do crime.
A situação no Ceará serviu de exemplo para o parlamentar ilustrar o avanço do poder paralelo. Com base em registros do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado figura como um dos pontos mais críticos no mapa da violência nacional. A preocupação é acentuada pelo fato de que cinco dos doze municípios brasileiros com os maiores índices de criminalidade do país estão situados em território cearense.
A sombra do crime no Ceará
Ao descrever o cotidiano sob a influência dessas organizações, o parlamentar subiu o tom. O controle não se limita às atividades ilícitas tradicionais; ele alcança a economia local e a sobrevivência das famílias. Em bairros da capital, Fortaleza, e em diversas cidades do interior, comerciantes enfrentam extorsões constantes, enquanto o direito fundamental à moradia é violado de forma sistemática.
Girão trouxe à tona um dado alarmante para a segurança pública: a expulsão de moradores de suas próprias residências pelo crime organizado. De acordo com seus registros, o intervalo entre essas ações violentas chega a ser de apenas três dias, uma rotina de despejos forçados que, na visão do congressista, cumpre todos os requisitos para ser definida como terrorismo.
O foco do discurso foi a necessidade de alinhar o entendimento brasileiro às classificações internacionais, tratando as facções com a gravidade que o cenário impõe. Girão cobra medidas efetivas para que o poder público retome o domínio sobre o território e coloque um ponto final no ciclo de medo que atinge comunidades inteiras. A mensagem que deixa é clara: a inércia institucional, para ele, é o combustível que mantém essas organizações no comando da vida dos brasileiros.













