Ipojuca (PE) – O governo federal prepara uma investida junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para reverter a suspensão das obras da ferrovia Transnordestina, especificamente no trecho que liga Salgueiro ao Porto de Suape. O posicionamento foi anunciado nesta sexta-feira (12) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, durante uma agenda de investimentos no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco.
A paralisação, imposta pela corte de contas em maio, impede novos contratos até que o Executivo comprove a viabilidade técnica e socioeconômica do projeto. O impasse trava o avanço de um percurso estratégico que corta os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. Alckmin argumenta que, como a licitação e a contratação do trecho já foram finalizadas, o canteiro de obras poderia ser ativado imediatamente após o sinal verde dos ministros.
Exigências do tribunal
O TCU impõe cautela rigorosa ao processo, que envolve instâncias como o Ministério dos Transportes, o DNIT e a ANTT. A exigência central é a atualização do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), que data de 2017 e é considerado defasado pelo tribunal. A Infra S.A., responsável pela licitação, recebeu um prazo de 30 dias a partir da decisão de 6 de maio para apresentar um plano de ação atualizado.
Apesar do rigor técnico do órgão de controle, Alckmin mantém o tom de urgência. O vice-presidente defende que o andamento das obras não deveria esperar pela conclusão integral de novos estudos, sugerindo que as duas frentes podem caminhar de forma paralela. Além da disputa por este ramal, o TCU tem restringido o uso de recursos da concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA), proibindo que verbas de multas e indenizações sejam desviadas para cobrir dívidas antigas, condicionando o dinheiro exclusivamente a investimentos inéditos na malha ferroviária.
Expansão logística em Suape
A visita de Alckmin ao litoral pernambucano foi marcada também pela inauguração do terminal de contêineres da APM Terminals. Com aporte de R$ 2 bilhões, a infraestrutura se destaca por ser o primeiro terminal do gênero na América Latina com operação totalmente eletrificada. A capacidade instalada permite a movimentação de 400 mil TEUs anuais, volume que representa um incremento de 55% na capacidade do complexo, com projeção de chegar a 1,3 milhão de TEUs no futuro.
A agenda ministerial em Pernambuco incluiu ainda medidas voltadas à infraestrutura urbana e portuária. Em parceria com o prefeito do Recife, o governo federal anunciou o aporte de R$ 60 milhões — oriundos do Novo PAC e de fontes municipais — para obras de drenagem e urbanização dos canais Mauricéia e Sanbra, visando mitigar alagamentos nos bairros de Jardim São Paulo e Ribeira. Já no Porto do Recife, foram autorizadas intervenções de dragagem e modernização nas defensas dos berços de atracação, somando R$ 108 milhões em investimentos federais com prazo de conclusão previsto para o final de 2026.










