Rio de Janeiro (RJ) – O cenário é de alerta. Diante da previsão de uma queda de até 40% na disponibilidade de água em diversas partes do país, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu uma chamada pública focada em garantir o abastecimento de grandes centros urbanos. A iniciativa vai injetar R$ 120 milhões na proteção de bacias hidrográficas, dos quais metade sairá dos cofres da própria instituição e a outra metade virá de parcerias com os setores público e privado.
O objetivo central é a resiliência. O presidente do banco, Aloízio Mercadante, defende que a medida atende a uma demanda urgente de adaptação climática. Na prática, o foco recai sobre o combate à escassez através da restauração de matas ciliares e nascentes que alimentam as metrópoles. A estratégia segue o alinhamento com a agenda de proteção ambiental do governo federal.
O radar da Agência Nacional de Águas (ANA) mapeou as zonas de maior fragilidade. Estão na mira do edital as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, além da Baixada Santista, Fortaleza, Cuiabá, Porto Velho e Rio Branco. Projetos em áreas que afetam diretamente o sistema de abastecimento dessas cidades também serão contemplados.
Quem quiser participar tem exatamente 90 dias para submeter as propostas. O BNDES busca projetos que custem entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, com um fôlego de até 48 meses para execução. A exigência é clara: o foco deve estar na restauração com vegetação nativa em áreas de preservação permanente, unidades de conservação, territórios indígenas, quilombolas, assentamentos ou pequenas propriedades rurais.
Podem enviar projetos instituições públicas ou organizações privadas sem fins lucrativos, que inclusive podem se unir em redes de cooperação. A avaliação das propostas não será simples. Uma comissão formada por especialistas do Ministério do Meio Ambiente, Ibama, ICMBio e do próprio banco analisará desde a capacidade técnica dos proponentes até o impacto real na qualidade da água e na redução das emissões de gases de efeito estufa.
É uma aposta direta na infraestrutura natural. O sucesso desse plano depende não apenas do volume de investimento, mas da capacidade de transformar essas áreas críticas em zonas protegidas antes que a crise hídrica se agrave nos centros mais populosos do Brasil.













