Brasília (DF) – Junho chega com o bolso do consumidor um pouco mais apertado. Quem esperava um alívio nas tarifas residenciais terá que lidar, pelo segundo mês consecutivo, com a manutenção da bandeira amarela nas contas de luz. O aviso foi dado nesta sexta-feira (29) e confirma que todos os clientes conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN) sentirão o peso da cobrança extra nas faturas que chegam às casas e empresas no próximo ciclo.
O custo dessa sobretaxa está tabelado em R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Mas o que, afinal, levou a essa mudança de cenário? A resposta mora nos reservatórios. Com a chegada do período de estiagem no Brasil, a produção nas hidrelétricas perde força. Para evitar um apagão ou instabilidades no sistema, o caminho inevitável é recorrer às usinas termelétricas, que possuem uma operação drasticamente mais cara.
Houve um respiro importante no início do ano. Entre janeiro e abril, o consumidor desfrutou da bandeira verde — sinal de que a produção estava em níveis ideais e o custo não precisava ser repassado. A virada de chave aconteceu apenas em maio, quando o índice mudou para amarelo, marca que agora se estende pelo menos até o fim de junho.
A lógica por trás do sistema
Desde que o modelo de bandeiras tarifárias foi implantado, em 2015, a conta de luz tornou-se um espelho direto da realidade hídrica do país. O mecanismo funciona como uma sinalização sobre o que acontece nos bastidores do setor elétrico. Todos os meses, o cenário é revisto com foco na melhor estratégia de geração possível, equilibrando o uso de recursos para suprir a demanda nacional sem comprometer a estabilidade do serviço.
Para quem busca entender o peso de cada cor na fatura, vale observar a gradação dos valores que podem aparecer no boleto:
Quando a bandeira é verde, o custo de geração está equilibrado e o consumidor não paga nada além do que foi consumido. Na amarela, o acréscimo é de R$ 1,88 a cada 100 kWh. O cenário se agrava substancialmente quando a bandeira vermelha entra em vigor. No Patamar 1, a conta sobe R$ 4,46 a cada 100 kWh. Se a situação exigir o Patamar 2 — o degrau mais custoso do sistema — o valor adicional dispara para R$ 7,87 a cada 100 kWh.
A dúvida que resta é quanto tempo a bandeira amarela permanecerá pendurada nas contas. Enquanto os níveis de chuva não se normalizarem e o sistema continuar dependendo de térmicas para fechar a conta do consumo diário, o custo da eletricidade seguirá atrelado a esse cenário de maior dificuldade operacional.










