O Brasil está em vias de garantir uma redução no preço da energia gerada por Itaipu a partir de 2027. A informação partiu do diretor-geral brasileiro da usina, Enio Verri, em entrevista concedida na segunda-feira (13) na sede da empresa em Foz do Iguaçu (PR). As negociações com o Paraguai sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu, que regula as bases financeiras da hidrelétrica binacional, estão avançando nessa direção.
“A ideia é que, no máximo em dezembro desse ano, a gente possa anunciar a tarifa para o ano que vem ou para os próximos anos, depende da negociação e como se monta isso. Mas uma coisa é certa, a partir do ano que vem, seremos a menor tarifa do país”, garantiu Verri.
Como funciona a tarifa hoje
Desde 2024, Brasil e Paraguai assinaram uma ata definindo que o valor da energia consideraria apenas os custos operacionais da usina, variando entre US$ 10 e US$ 12 por quilowatt/mês (kW/mês). Atualmente, o custo de funcionamento de Itaipu fica em US$ 19,28 por kW/mês, mas o Brasil comercializa a energia por US$ 17,66, subsidiando a diferença com um aporte de US$ 285 milhões para manter as tarifas em patamar reduzido.
Esse modelo temporário vence em 31 de dezembro deste ano. A partir daí, os dois países precisam chegar a um novo acordo sobre como precificar a energia. A tarifa brasileira é repassada para as distribuidoras que compram a energia de Itaipu por intermédio da ENBPar, empresa estatal responsável pela comercialização.
Interesses divergentes na negociação
O tratado original entre os países foi assinado em 1973 e previa revisão após 50 anos. Uma das principais diferenças entre os negociadores está no interesse do Paraguai em aumentar o valor cobrado. O país vizinho não consome toda a sua cota de 50% da energia gerada e, portanto, precisa vender o excedente, o que o torna mais sensível ao preço. O Brasil, por sua vez, busca manter tarifas reduzidas para oferecer energia mais barata aos consumidores, já que Itaipu responde por cerca de 8% do consumo total do país.
Essa estrutura de incentivos coloca Brasil e Paraguai em posições opostas na mesa de negociações, mas o anúncio de Verri indica que o país conseguirá preservar seu objetivo de oferecer preços competitivos a partir de 2027.











