O Brasil é lar de pouco mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, entre residentes permanentes, temporários, refugiados e solicitantes de refúgio, oriundos de 200 nacionalidades. Venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos formam os principais grupos, presentes em todas as unidades da federação. Estima-se que cerca de 680 mil venezuelanos residam no país no início de 2026, com predominância de mulheres e crianças.
Os números fazem parte do 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), apresentado nesta quinta-feira pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em Brasília. O documento traz análises sobre fluxos migratórios, distribuição geográfica e recomendações para melhor integração dessas populações à sociedade brasileira, além de subsidiar a implementação da nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, que substituiu a Lei de Migração de 2017.
Oportunidades no mercado de trabalho
O fluxo de trabalhadores migrantes no mercado formal cresceu 54% entre 2023 e 2025, ultrapassando 414,96 mil vínculos de trabalho. Mais de 201 mil desses profissionais são venezuelanos, seguidos por 51,2 mil haitianos e 30,7 mil cubanos. Cerca de 43% atuam na produção industrial, especialmente no setor de abate de animais na região Sul.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que o trabalho é essencial para que o migrante construa vínculos e exerça plenamente sua cidadania. Segundo ele, a demanda por mão de obra imigrante cresceu devido ao contexto atual de pleno emprego no país.
Apesar dos avanços, o relatório identifica desafios. Muitos imigrantes com ensino superior enfrentam dificuldades para validar diplomas e acabam ocupando cargos de baixa qualificação. O documento recomenda ao governo promover reconhecimento de diplomas, intermediação de mão de obra qualificada e redução de barreiras institucionais.
Na informalidade, a situação é mais crítica. Em 2024, 78,8% dos trabalhadores domésticos migrantes não possuíam carteira assinada, expondo-se a riscos elevados de exploração. Marinho alertou que expandir a presença de migrantes no interior do país apenas com trabalho precário não resolve o problema, apenas o desloca. “Interiorizar com qualificação gera desenvolvimento local e fortalece economias regionais”, afirmou.
Proteção social em expansão
O número de migrantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais aumentou de 562.687 em 2023 para 650.683 em 2024. Desse total, 55,6% são mulheres e houve crescimento de 18,6% no número de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
Em relação ao Bolsa Família, dos 562.687 migrantes cadastrados em 2023, 302.497 eram beneficiários do programa, enquanto 260.190 ainda não recebiam o benefício. O relatório recomenda reduzir o tempo entre cadastramento e acesso aos benefícios, ampliando transparência e comunicação sobre critérios de elegibilidade.










