Los Angeles (CA) – O percussionista brasileiro Paulinho da Costa entra oficialmente para a história da música mundial nesta quarta-feira (13). Em Los Angeles, ele recebe a 2.844ª estrela da tradicional Hollywood Walk of Fame, marco que costuma coroar nomes ligados à indústria do entretenimento.
O reconhecimento destaca uma carreira construída nos bastidores do mercado fonográfico internacional. Mesmo assim, o trabalho de Paulinho aparece em músicas que atravessaram gerações e fronteiras, num percurso que se consolidou após 55 anos vivendo nos Estados Unidos. Carioca, ele se tornou um dos artistas mais gravados da história da música mundial.
A homenagem em Hollywood chega no mesmo ano em que sua trajetória virou tema do documentário The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, lançado pela Netflix em março. O filme revisita a caminhada do menino de Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, e mostra como a percussão brasileira ganhou linguagem universal dentro dos estúdios de Los Angeles.
Mais de 6.700 gravações e parcerias decisivas
Ao longo de mais de cinco décadas, Paulinho participou de cerca de 6.700 gravações, ao lado de 972 artistas, segundo dados apresentados no documentário. O toque dele atravessou jazz, pop, soul, funk, além de música latina e trilhas sonoras de Hollywood.
De Quincy Jones ao pop de Michael Jackson, passando por Madonna, Elton John, George Benson e Miles Davis, a assinatura rítmica do percussionista ajudou a moldar parte da sonoridade do pop contemporâneo.
No documentário, Paulinho contou que conheceu Michael Jackson durante um voo. A partir daí, nasceu uma parceria que resultaria em mais de 40 gravações com o artista, incluindo participações em faixas do álbum Thriller, que segue como o disco mais vendido da história.
Já George Benson, cantor e guitarrista, resume o impacto artístico ao lembrar da força musical presente na execução de Paulinho. “A fusão das raízes europeias e africanas do Brasil, com esse sorriso no rosto, mas tudo era real, real. Você não mexe com quem trabalha com aquele nível de convicção”, afirma o músico.
Identidade afro-brasileira no centro
Para além da técnica, a influência de Paulinho é tratada como um caminho de reconhecimento da identidade percussiva afro-brasileira na música internacional. Entre músicos brasileiros, ele aparece como um dos nomes mais associados a essa passagem do tambor para o centro do repertório global.
O baterista, percussionista e educador musical Rodrigo Scofield vê Paulinho como referência para gerações. “Paulinho da Costa é um grande mestre para todos nós, referência total, principalmente por ser talvez o brasileiro que mais tenha gravado músicas que se tornaram sucessos mundiais, levando o sotaque percussivo afro-brasileiro para o mundo”, diz Scofield.
“Sua humildade, talento e versatilidade transitando entre gravações de álbuns, trilhas para cinema e shows de artistas internacionais nos palcos iluminaram e seguem iluminando os caminhos para nós, que seguimos nessa jornada do tambor. Com Paulinho da Costa nossa cultura e identidade são valorizadas e, acima de tudo, o respeito e a reverência ao protagonismo do tambor são inequívocos e fundamentais”, completa.
Hollywood também passa pela percussão
Discreto fora dos holofotes, Paulinho construiu uma carreira rara em Hollywood. Sua percussão aparece em trilhas de filmes como The Color Purple, Dirty Dancing, Jurassic Park e Mission: Impossible. Nos palcos, acompanhou artistas em apresentações no Wembley Stadium, no Kennedy Center e no Montreux Jazz Festival.
O trabalho dele também reverbera na música contemporânea por meio de samples, efeitos sonoros e releituras usados por artistas como Beyoncé, Rihanna e Kanye West. Nesse contexto, a estrela na Calçada da Fama representa, para muitos músicos, um reconhecimento tardio a um artista que, por décadas, foi conhecido sobretudo por quem vive a indústria—reverenciado como “o mestre do groove”, “o homem da batida perfeita” ou simplesmente um dos percussionistas mais respeitados do mundo.













