No final da tarde da última sexta-feira, o Polo do IFES em Ibatiba tornou-se o cenário de um encontro cultural vibrante. A partir das 18h, a comunidade reuniu-se para prestigiar o lançamento da mais nova obra do escritor e ativista cultural Genival Souza: o livro infantil “Geninho em Preto e Branco”. A obra aborda a temática do racismo, utilizando o lúdico para pautar diálogos necessários desde a infância.
Obra: GENINHO em Preto e Branco
Autor: Genival Souza
Editora: JORDEM
O evento, com expressiva participação de público entre adultos e crianças, foi marcado por um clima de apoio e incentivo à produção literária local. O ponto alto da noite foi a apresentação de um emocionante teatro de fantoches que deu vida a obra com uma forma sensível e direta.
Genival, figura conhecida por sua atuação na Academia Ibatibense de Letras e Artes (AILA), reafirma seu compromisso com a formação social e cultural da nossa região através desta nova publicação.
Durante o encontro, destacou-se a responsabilidade dos adultos como espelhos para as novas gerações. A mensagem central do evento ressaltou que a transformação social e a construção de um futuro mais justo dependem do exemplo e dos valores que os responsáveis transmitem hoje.

“Conversa com o Autor: Entre Versos e Propósitos”
Abaixo, compartilho um diálogo exclusivo com o autor, que revela a alma por trás das páginas.
Ao ser questionado sobre como adaptou sua voz literária da poesia para as crianças, Genival reflete com sensibilidade: “A poesia sempre foi meu porto seguro, meu refúgio de tudo e todos. Adaptar essa voz para as crianças não foi uma ‘mudança de tom’, mas sim um exercício de purificação e adaptação do meu ser.”
“Geninho em Preto e Branco” nasce de uma necessidade urgente de diálogo. Sobre o “antídoto” que espera para a humanidade frente ao racismo que ainda persiste, o autor é categórico: “O principal antídoto é o acolhimento. O racismo tenta nos convencer de que somos incompletos ou inadequados. Como alguém que sente na pele essas marcas, entendo que a literatura precisa ser um escudo e, ao mesmo tempo, um espelho.”
Sobre o título impactante, Genival explica que o contraste serve para mostrar que o conflito não reside na criança, mas na forma como a sociedade educa: “O contraste das cores serve para mostrar que o conflito não está no Geninho, mas no jeito que a sociedade educa as crianças, principalmente, pelas crianças serem reflexos de adultos. A reflexão, eu deixo a interpretação do leitor.”
Reconhecido por professores e colegas como um aluno exemplar, Genival destaca como o curso de Pedagogia no IFES moldou sua obra: “A Pedagogia me deu as lentes para entender que o ‘Geninho’ não era apenas uma história, mas um ato político e educativo. Estar no IFES me fez perceber a urgência de levar discussões sobre relações étnico-raciais para a sala de aula de forma lúdica. Ensinar é um ato de amor.”
Ao tentar se definir em três palavras, o autor compartilha uma reflexão poderosa sobre sua própria jornada de autodescoberta: “Sinceramente, nunca pensei em como me definir. Por muito tempo, minha existência foi um pedido de desculpas, porém, agora compreendo que sou muito mais do que eu enxergava no reflexo do espelho.”

Trajetória de Versatilidade do autor:
Natural de Ibatiba, Genival Souza transita entre a poesia de “De canto… Encanto! ”, “Retirado da Gaveta” e a clareza do universo infantil de “Pipoquinha em papel, lápis e coração”, “Pimpão e Pipoquinha em uma volta pela cidade”.
Agora com este novo lançamento “Geninho em Preto e Branco”, o escritor consolida-se como uma voz ativa na literatura capixaba, utilizando sua escrita como ferramenta de ativismo e educação.
Um momento de grande emoção foi a participação da professora Maria Eugênia Martins Barcellos, responsável pela escrita da apresentação do livro. Presente no evento, ela realizou a leitura do texto e compartilhou reflexões sobre a obra, enriquecendo a noite com seu olhar pedagógico e sensível.
O evento contou com o apoio integral do Diretor Geral do Polo IFES Ibatiba, o professor Wilson Augusto Costa Cabral, cuja gestão tem sido fundamental para dar “gana” e dinamismo à cultura local, abrindo as portas da instituição para que momentos grandiosos como este aconteçam com excelência e carinho.
Tive a honra de acompanhar este lançamento em dupla jornada: representando as Academias de Letras AILA e ALAVENI, e cobrindo o evento como colunista para o Portal Correio Espírito Santo.
Foi gratificante ver o auditório repleto de professores e alunos do Polo, além de membros da comunidade que compreendem o valor da educação e da arte. Fica aqui um convite para que, em futuras celebrações deste porte, possamos contar também com uma presença mais próxima das autoridades ligadas à gestão cultural de nossa comunidade. Eventos que pautam temas tão vitais merecem o prestígio de todos os setores, pois a cultura é o que define a identidade de um povo.
Meu sincero agradecimento aos inúmeros professores, funcionários do IFES, alunos, mestres cerimonias, que, embora muitos para citar nominalmente, foram essenciais para o sucesso desta noite.
A obra foi um projeto realizado com o apoio das políticas públicas de incentivo à cultura:
Fomento: PNAB – Lei Aldir Blanc
Apoio: Prefeitura Municipal de Ibatiba através da Secretaria de Meio Ambiente, Cultura e Turismo
Realização: Ministério da Cultura, Governo Federal – União e Reconstrução.











