São Paulo (SP) – O Centro de Vigilância Epidemiológica Professor Alexandre Vranjac está acompanhando de perto um possível caso de ebola em território paulista. A paciente, uma mulher de 31 anos, retornou ao Brasil no último dia 6 de junho após uma temporada de trabalho na província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo. A região é atualmente o foco de um surto grave monitorado por autoridades globais de saúde.
O quadro clínico da mulher mudou na terça-feira, 9 de junho, quando ela passou a apresentar febre e diarreia. Diante dos sintomas, ela buscou atendimento em um hospital da rede privada. Durante a madrugada de quarta-feira, 10 de junho, o protocolo foi acionado e ela acabou transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas. A unidade, que funciona como referência nacional para esse tipo de patologia, mantém a paciente em isolamento rígido.
Até agora, a equipe médica descreve o estado de saúde dela como estável. Seguindo o manual de biossegurança exigido para situações de suspeita de febres hemorrágicas, a paciente passou por exames imediatos. Um teste rápido para malária foi descartado logo no início. O diagnóstico definitivo para o vírus ebola, no entanto, depende dos resultados laboratoriais conduzidos pelo Instituto Adolfo Lutz. Não há, por enquanto, qualquer confirmação.
Este é o segundo episódio de alerta em São Paulo envolvendo a mesma suspeita. Recentemente, um homem de 37 anos, também vindo da República Democrática do Congo, passou por exames no mesmo instituto. Naquela ocasião, a hipótese de ebola foi descartada após as análises apontarem que o paciente sofria, na verdade, de meningite meningocócica. Ele segue internado no Emílio Ribas com uma evolução clínica considerada positiva pelos médicos.
O ebola é uma doença infecciosa que exige contato direto ou indireto com sangue, secreções, urina, saliva ou fezes de infectados — a transmissão só ocorre quando a pessoa já apresenta sintomas claros. Especialistas reforçam que o vírus não se propaga pelo ar. Embora a taxa de mortalidade seja elevada, o surto atual na África tem registrado índices entre 55% e 60%.
O histórico do vírus remonta a 1976, quando foi identificado pela primeira vez próximo ao rio que lhe dá nome, no território que hoje conhecemos como República Democrática do Congo. Desde então, o continente africano enfrenta intermitentes ondas da doença. Até o presente momento, o Brasil nunca registrou um caso confirmado de infecção pelo vírus ebola em toda a sua história sanitária.












