São Paulo (SP) – O estado de São Paulo contabiliza 18 óbitos decorrentes da febre maculosa entre janeiro e julho deste ano. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, foram registrados 19 casos da doença no intervalo. A concentração geográfica das mortes ocorreu em áreas específicas, atingindo principalmente os municípios de Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo.
Transmitida pela picada do carrapato infectado com a bactéria Rickettsia rickettsii, a enfermidade possui um caráter fulminante se não for combatida rapidamente. O grande desafio médico reside na semelhança dos sintomas iniciais — febre alta, dor de cabeça, mal-estar e dores pelo corpo — com diagnósticos comuns, como dengue ou viroses. É apenas a partir do terceiro dia que o quadro tende a se agravar, com o surgimento de manchas avermelhadas que evoluem para lesões arroxeadas nas extremidades, como mãos e pés.
Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, pontua que a negligência no tratamento antibiótico precoce eleva a taxa de mortalidade para até 80%. A bactéria provoca uma inflamação sistêmica nos vasos sanguíneos, afetando órgãos vitais como o cérebro, rins e fígado. Em estágios avançados, o paciente pode apresentar paralisia ascendente, atingindo a musculatura respiratória, além de gangrenas em áreas como orelhas e dedos.
O protocolo de segurança exige que qualquer pessoa com histórico recente de visita a matas, fazendas ou trilhas ecológicas informe essa exposição ao médico diante de qualquer sinal febril. A agilidade é a palavra de ordem: como a confirmação laboratorial pode demandar até duas semanas, os especialistas recomendam que a terapia medicamentosa seja iniciada empiricamente, sem aguardar o resultado dos exames, para interromper a progressão da infecção.
O perigo também chega ao ambiente doméstico através dos cães. Os animais podem transportar o vetor para dentro de casa, alojando carrapatos em roupas ou camas. Para mitigar riscos, a orientação é evitar o contato direto com vegetação alta ou gramados em regiões de risco. Caso o passeio seja inevitável, o uso de botas, calças compridas e roupas claras facilita a visualização e a remoção dos parasitas logo após a atividade.
Ao identificar um carrapato aderido ao corpo, a remoção deve ser feita com o auxílio de uma pinça, mantendo a firmeza sem esmagar o vetor. Após a retirada, a higienização da área atingida com sabão, água ou álcool é obrigatória. Quanto menor o tempo de permanência do parasita na pele, menor a probabilidade de contaminação. Além do cuidado com o corpo, as roupas utilizadas nessas áreas devem ser higienizadas em água fervente como medida profilática.













