Brasília (DF) – O último sábado foi marcado por uma força-tarefa em unidades de saúde de todo o Brasil, com o chamado Dia D de Multivacinação. O objetivo central da estratégia é elevar as taxas de cobertura vacinal entre crianças, garantindo que todos os 17 imunizantes previstos no calendário infantil obrigatório estejam em dia. Em Brasília, na Unidade Básica de Saúde da 612 Sul, o movimento foi intenso desde as primeiras horas, com famílias buscando proteção contra diversas enfermidades.
Entre os presentes, o estudante Noam Medeiros, de 10 anos, foi um dos exemplos de tranquilidade ao enfrentar o atendimento. Acompanhado pela mãe, a bancária Ana Paula Medeiros, de 45 anos, o menino completou o esquema vacinal necessário. A família, motivada por informações veiculadas em campanhas na televisão, ressaltou a importância da prevenção coletiva como uma ferramenta essencial de saúde pública.
A mobilização contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que aproveitou a ocasião para enfatizar o caráter abrangente desta edição. Pela primeira vez, a campanha incluiu a vacina pneumocócica 20-valente, voltada para crianças menores de 5 anos e desenhada para ampliar a defesa contra pneumonias e meningites. O ministro pontuou que o sucesso da iniciativa depende da colaboração coordenada entre municípios, estados e o governo federal.
O alerta principal de Padilha voltou-se para o sarampo. Embora o Brasil tenha recuperado o certificado de país livre da doença em 2024, o cenário internacional gera cautela. O ministro destacou que surtos recentes nos Estados Unidos, com reflexos no Canadá e no México, exigem vigilância constante. No ano passado, o país registrou 38 casos importados, que foram contidos graças à estrutura do SUS e à manutenção das altas taxas de cobertura vacinal, evitando a propagação interna.
O esquema de vacinação contra o sarampo deve ser observado com atenção especial por pessoas entre 6 meses e 59 anos, principalmente aquelas que atuam em setores de grande circulação de turistas, como aeroportos, rodoviárias, hotéis, táxis e aplicativos de transporte. A preocupação é impedir que o país reviva crises passadas, como a ocorrida em 2019 em São Paulo, que resultou em 20 mil casos e na perda temporária da certificação de erradicação da doença.
A conscientização sobre o calendário vacinal não se restringe ao público infantil. A aposentada Lúcia Araújo, de 91 anos, compareceu ao posto de saúde para manter sua caderneta atualizada. Para ela, a adesão religiosa aos dias de vacinação é a estratégia fundamental para preservar sua saúde e longevidade, destacando que o procedimento levou menos de dez minutos.












