Rio de Janeiro (RJ) – Um contingente superior a 3 milhões de jovens recebeu apenas a primeira aplicação do imunizante contra a dengue e ainda precisa retornar aos postos para finalizar o protocolo de proteção. O esquema exige duas doses no total, sendo que a segunda aplicação deve ocorrer três meses após a primeira para garantir a eficácia esperada.
Os números foram detalhados por Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações, durante evento realizado no Rio de Janeiro. No balanço apresentado, o total de aplicações em território nacional já ultrapassou 11,8 milhões de unidades, divididas entre 7,6 milhões de primeiras doses e 4,2 milhões de segundas doses.
Existe ainda um volume de quase 4 milhões de doses que já foram repassadas aos municípios, mas continuam sem aplicação. Com a proximidade do verão e a influência do fenômeno El Niño, o cenário epidemiológico exige cautela, já que a transmissão da doença pode se intensificar nos próximos meses.
Convencer esse público específico representa um desafio operacional considerável, pois a percepção de risco costuma ser baixa entre os jovens. A recomendação técnica é realizar a imunização justamente nos períodos de menor incidência, garantindo que a população esteja imunizada antes do pico de circulação do vírus.
No tocante ao abastecimento, o laboratório japonês Takeda, responsável pela fabricação da Qdenga, possui limitações produtivas para atender à totalidade dos habitantes do país, mas o fluxo para o público prioritário permanece assegurado. O planejamento logístico contempla as entregas programadas para 2024 e 2025, além de um contrato em vigor que assegura mais 9 milhões de doses para o ano corrente e outras 9 milhões previstas para 2027.
A estratégia de distribuição começou de forma focalizada nas regiões mais críticas e expandiu-se gradualmente até alcançar o território nacional, tendo como foco principal a faixa etária de 10 a 14 anos. Quando a incorporação ocorreu na rede pública, a faixa de 4 a 16 anos apresentava os dados de segurança mais consistentes, concentrando-se o esforço atual nos adolescentes por serem os mais vulneráveis a formas graves da infecção.
Sobre a possibilidade de estender o público-alvo, avaliações continuam em andamento, embora qualquer mudança dependa de análises operacionais, orçamentárias e de segurança. Paralelamente, o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan permanece com a aplicação paralisada desde junho.
A suspensão ocorreu após a detecção de três episódios de dengue grave e duas mortes em um grupo de mais de 500 mil pessoas vacinadas durante testes. Embora a relação direta não esteja comprovada, a coincidência cronológica acionou protocolos de precaução para investigações adicionais. A tecnologia nacional é vista como um avanço estratégico com potencial de imunizar dezenas de milhões de cidadãos anualmente, mas a retomada depende do esgotamento de todas as dúvidas científicas.












