São Paulo (SP) – O estado de saúde do cacique Raoni Metuktire, aos 94 anos, é monitorado com rigor pela equipe médica da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Paulo. A instituição confirmou que o líder indígena, um dos nomes mais emblemáticos na defesa da causa ambiental e dos povos originários, encontra-se em uma condição classificada como grave, porém estável.
A fragilidade clínica do cacique tem sido enfrentada com uma combinação de antibioticoterapia e cuidados de suporte. O prontuário indica um diagnóstico complexo que envolve obstrução intestinal, sinais de desidratação e um quadro de pneumonia aspirativa. Apesar do cenário delicado, o paciente mantém a capacidade de respirar espontaneamente, dispensando, neste momento, o uso de aparelhos de ventilação mecânica.
Para contornar as dificuldades na absorção de nutrientes, a equipe médica optou pela nutrição parenteral, realizada de forma intravenosa. Esse procedimento garante que ele receba os aportes necessários para combater o desgaste físico enquanto o organismo reage aos medicamentos ministrados.
A transferência de Raoni para a unidade da Escola Paulista de Medicina, vinculada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ocorreu na última sexta-feira (19). Ele deixou o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, no Mato Grosso, por volta das 11h30, em uma operação que buscou centralizar o tratamento em uma estrutura de alta complexidade.
O cirurgião e professor Franz Robert Apodaca Torrez, da Unifesp, assumiu a coordenação do caso. O médico não é um desconhecido do processo; ele já acompanhava a evolução clínica do cacique ainda durante a estadia em Mato Grosso, mantendo um diálogo constante com a equipe que prestou o atendimento inicial na região norte do estado.
A estratégia terapêutica definida para os próximos dias foca na observação ininterrupta dos sinais vitais e na condução de exames complementares, essenciais para refinar o diagnóstico e ajustar as medicações. A instituição reforçou que novos detalhes sobre a resposta do organismo de Raoni ao tratamento serão compartilhados com o público na tarde deste sábado, 20 de junho.
O hospital, referência em medicina de alta complexidade, mantém sigilo e cautela típicos de casos que exigem vigilância intensiva. Aos 94 anos, Raoni enfrenta agora uma das batalhas mais íntimas de sua longa trajetória pública, desta vez sob os holofotes da medicina acadêmica paulistana.












