Colatina (ES) – O Brasil não registra a circulação da cepa Andes de hantavírus, associada a um surto recente em um cruzeiro no Oceano Atlântico, segundo especialistas, enquanto os casos no país seguem vinculados ao contato com roedores silvestres.
A referência ao episódio do Atlântico acendeu um alerta, mas a rota dessa variante específica não chegou ao território nacional. A cepa Andes é descrita como rara em sua transmissão direta entre humanos, sobretudo em ambientes confinados, o que ajuda a explicar por que o padrão visto no Brasil não acompanha o mesmo desenho epidemiológico.
Por aqui, os registros seguem outra lógica. Em fevereiro deste ano, uma morte foi confirmada em Carmo do Paranaíba, em Minas Gerais, após contato direto da vítima com roedores em uma área de lavoura. No mesmo estado, a ocorrência se encaixa no padrão que o Ministério da Saúde já vem tratando como transmissão relacionada ao ambiente, não a contato interpessoal.
O Paraná soma dois casos em 2026, nas cidades de Pérola d’Oeste e Ponta Grossa, além de outros onze episódios sob investigação. Nessas situações, o Ministério da Saúde reforça que a contaminação ocorre por meio de resíduos deixados por animais, sem risco de contágio entre pessoas.
O que muda quando se fala em variantes
Para o médico sanitarista Cláudio Maierovitch, da Fiocruz Brasília, a distinção entre variantes é decisiva para entender o risco real. Ele afirma que, embora o Brasil tenha a espécie Andes, sua manifestação está ligada ao contato com excrementos de ratos em locais como silos, estábulos ou galpões, e não a transmissão direta entre humanos.
Também por isso, o desafio brasileiro não se resume a isolar pacientes. A hantavirose não é um problema raro no país, desde 1993 foram mais de 2.500 casos e 900 mortes. Só no ano passado, o Ministério da Saúde contabilizou 35 ocorrências e 15 óbitos, números que colocam o controle ambiental no centro da prevenção.
O que vem pela frente é a continuidade da investigação dos casos paranaenses em aberto e, ao mesmo tempo, a manutenção das medidas de vigilância e proteção em áreas com presença de roedores. Sem essa atenção cotidiana, a diferença entre “ter a cepa” e “ter transmissão do jeito do surto” pode passar despercebida, mesmo quando a informação já está na mesa.











