Vitória (ES) – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária oficializou nesta quinta-feira, 22 de agosto, a proibição imediata da comercialização, distribuição, importação e uso de tiras reagentes para medição de glicemia da marca Accu-Chek Active encontradas na plataforma de vendas Amazon. A medida, publicada no Diário Oficial da União, surge após a detecção de irregularidades graves em anúncios que ofereciam produtos falsificados aos consumidores brasileiros.
O alerta partiu da Roche Diabetes Care Brasil Ltda., detentora da marca no país. Após uma análise minuciosa, a fabricante confirmou que itens vendidos em dois anúncios específicos da plataforma não possuíam as características técnicas dos produtos originais. Um detalhe crucial revelado pela investigação aponta que as embalagens não eram as padronizadas para o varejo e continham uma advertência em inglês indicando que os produtos eram destinados exclusivamente a licitações governamentais — o termo “ONLY FOR GOVERNMENT TENDER” foi o principal indício utilizado para identificar o desvio.
A determinação da Anvisa atinge diretamente dois tipos de oferta que circulavam livremente no site: as tiras Accu-Chek Active com 50 unidades e o kit contendo 100 tiras para medidores de glicemia. A preocupação central das autoridades sanitárias reside no risco à saúde do usuário, uma vez que o uso de reagentes fora dos padrões de fabricação e controle pode comprometer a precisão dos resultados de glicemia, levando a decisões equivocadas no tratamento de pacientes com diabetes.
A ausência das embalagens externas originais, frequentemente utilizada como estratégia para ocultar a procedência ilícita, foi um fator determinante para que a empresa acionasse a agência reguladora. Com a publicação da resolução, a Amazon fica impedida de manter qualquer link de venda desses lotes específicos em seu ambiente virtual, visando estancar a exposição de pacientes a produtos que não garantem a segurança e a eficácia necessárias para o controle da doença.
Até o momento, a plataforma de e-commerce não apresentou um posicionamento formal sobre a retirada dos anúncios ou sobre como pretende fiscalizar a entrada de itens com origem restrita a contratos públicos em seu catálogo de varejo. O desdobramento do caso reforça a necessidade de vigilância constante sobre o mercado digital de dispositivos médicos, onde o rigor técnico dos fabricantes deve sempre prevalecer para evitar que mercadorias impróprias cheguem à ponta final do consumo humano.











