Rio de Janeiro (RJ) – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,82% em setembro, consolidando a maior alta mensal desde março de 2026, quando o indicador atingiu 0,88%. Com esse resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses alcançou 4,58%, superando o limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 4,5%.
A pressão inflacionária foi impulsionada majoritariamente pelo encerramento do Bônus de Itaipu, que gerou um desconto nas faturas de energia elétrica durante o mês de agosto. A ausência desse abatimento em setembro provocou uma variação expressiva no grupo habitação, que registrou alta de 2,31%, com a conta de luz subindo 7,98% e exercendo o maior impacto individual sobre o índice final, correspondendo a 0,32 ponto percentual.
O desempenho dos preços veio acima do que o mercado financeiro antecipava. Analistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus projetavam uma inflação de 0,60% para o mês. O acumulado atual de 4,58% ultrapassa o intervalo de tolerância da meta — que possui centro de 3% e margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — reativando o debate sobre a trajetória dos preços no país.
Além da energia elétrica, o grupo de transportes apresentou elevação de 0,89%, influenciado por um reajuste de 9,66% nas passagens aéreas e pelo encarecimento dos combustíveis, com a gasolina subindo 1,21% e o etanol registrando alta de 3,16%. O setor de alimentação e bebidas também voltou a subir, com destaque para a inflação no domicílio, que atingiu 0,96%. Entre os itens que mais pesaram no orçamento das famílias estão o tomate, com salto de 37,76%, a batata-inglesa, que subiu 24,07%, e a cebola, com variação de 10,14%.
O comportamento dos alimentos, que encerrou uma sequência de três meses de deflação, é atribuído pelos técnicos a questões climáticas que afetaram a produção e a colheita, como o excesso de chuvas e as temperaturas mais baixas. O IBGE observou que, embora o efeito do Bônus de Itaipu tenha sido um movimento pontual, a pressão sobre os preços essenciais se espalhou, refletindo em um índice de difusão de 55%, indicando que a maioria dos itens pesquisados apresentou aumento.
Apesar da marca registrada em setembro, as projeções para os próximos meses consideram alívios sazonais. A expectativa é que o custo da energia perca tração em outubro, uma vez que a bandeira tarifária vigente na rede elétrica não prevê cobrança adicional. Enquanto isso, o mercado financeiro mantém cautela, estimando que a inflação termine o ano de 2026 em torno de 5,01%, reforçando os desafios para a convergência dos preços ao intervalo definido pelo CMN.












